Publicidade
SÃO PAULO – Embora não tenha trazido grandes supresas, o resultado trimestral da TIM Participações (TCSL3, TCSL4) voltou a mostrar números fortes na comparação com o mesmo período do ano anterior, com os analistas enfatizando a melhora na base de clientes, a receita de serviços e as vendas de aparelhos. Contudo, a queda inesperada no Capex (investimentos em bens de capital) deixa certa ressalva para a avaliação positiva que o balanço trimestral recebeu.
“Ressaltamos aqui nossa preocupação com investimentos pesados em voz. Como já dissemos anteriormente, se por um lado os investimentos em expansão das redes 3G são interessantes, os riscos com overlay de Capex nas redes 2G – foco dos investimentos do grupo no ano – podem ser preocupantes”, afirma Maria Tereza Azevedo, analista da Link Investimentos, que viu o Capex da TIM, de R$ 297 milhões, ficar 34% abaixo de suas projeções para o trimestre (R$ 450 milhões).
Vale mencionar que o Capex da TIM também mostrou forte queda de 56,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. A companhia, no entanto, manteve a meta de R$ 2,9 bilhões em investimentos para esse ano, justificando que esse menor montante nos primeiros três meses de 2011 deve-se à negociação com fornecedores de infraestrutura de voz e dados.
Continua depois da publicidade
Apesar desse viés de cautela aos investimentos da companhia, a analista avalia que em geral os números da operadora de telefonia móvel foram positivos e reforçam a viabilidade econômica dos planos Infinity, Liberty e Web, bem como toda estratégia comercial do grupo.
Melhora na base de clientes ofusca queda do ARPU
Um dos pontos positivos destacados pelos analistas foi o forte crescimento na base de clientes da empresa, que conseguiu reportar uma adição de 1,8 milhão de novos clientes entre janeiro e março – alta de 24,7% frente o mesmo período de 2010. Desse total, 1,6 milhão (ou praticamente 90%) veio do segmento pré-pago, o que justifica a queda de 13,3% do ARPU (receita médio por usuário, na sigla em inglês), aponta Marcos Mattos, analista de telecomunicações da Ágora Corretora.
Maria Tereza, da Link, complementa que essa forte evolução na base de clientes veio seguida de uma nova mínima no índice de inadimplência da companhia, “sinalizando a qualidade do crescimento dos últimos trimestres da base da TIM”. Mattos destaca que, embora os custos e despesas operacionais tenham crescido 15,8% na comparação anual, indo para R$ 2,72 bilhões, os PDDs (Provisões para Devedores Duvidosos) caíram 54,7%, para R$ 42 milhões.
Continua depois da publicidade
Outro ponto positivo foi as vendas de handsets, com destaque para os smartphones, que representaram 40% do total vendido no período, destaca o analista da Ágora. Isso ajudou a impulsionar o crescimento do faturamento líquido da operadora para 13,8% frente a 12 meses atrás, complementa Maria Tereza.
Impacto fiscal e queda nas despesas impulsiona lucro líquido
O lucro líquido da TIM também merece destaque, tendo fechado o primeiro trimestre em R$ 213,5 milhões, alta de 291,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, Mattos explica que essa forte oscilação deve-se ao crédito fiscal de R$ 1,4 bilhão que a empresa teve durante o período. Mesmo já prevendo esse impacto, o número superou suas estimativas em 15,3%, refletindo o resultado financeiro melhor do que o esperado e as menores despesas com depreciação e amortização.
Frente às projeções de Maria Tereza, da Link, o lucro líquido da TIM foi superior em 65%. No entanto, em comparação ao modelo projetado por Carlos Sequeira, Fabio Levy e Bernardo Miranda, do BTG Pactual, o resultado ficou levemente aquém dos R$ 222 milhões esperados.
Continua depois da publicidade
Comerciais e promoções pressionam margens
O time de análise do BTG também comenta a queda de 1,2 ponto percentual na margem Ebitda (Geração operacional de caixa/Receita Líquida), ficando em 27,5% no primeiro trimestre desse ano, refletindo principalmente o forte aumento das atividades comerciais da empresa no período, como forma de promover seus novos planos.
Aliado a isso, os custos da TIM com ligações interurbanas aumentaram na comparação anual, refletindo as promoções para ligações para telefones fixos promovidas pela empresa, como por exemplo o TIM Infinity Mais, destacam Sequeira, Levy e Miranda.
Recomendações
Apesar de esperar que os bons níveis de crescimento se mantenham nos próximos trimestres, os analistas do BTG destacam a dificuldade da empresa em surpreender o mercado, já que as avaliações consensuais estão se tornando cada vez mais rigorosas. Contudo, o banco recomenda a compra das ações PN da empresa, com preço-alvo projetado para 12 meses de R$ 7,50, indicando um potencial de valorização de 6,84% frente ao último fechamento.
Continua depois da publicidade
Também recomendando compra, Mattos, da Ágora, trabalha com targets mais otimistas, estimando para o final de 2011 que a ação TCSL3 esteja em R$ 11,00 (upside de 33,5%) e que TCSL4 fique em R$ 8,50 (upside de 21,08%). Já Maria Tereza, da Link, propõe recomendação “market perform” (performance em linha com mercado) para as ações PN e “under perform” (performance abaixo da méida do mercado) para os papéis ON. A corretora não disponibilizou os preços-alvos esperados para os ativos da companhia.