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Representante de R$ 500 bi na Bovespa, Cunha “desiste” do conselho da Petrobras

Em comunicado, presidente da Amec se diz frustrado com a incapacidade do governo em agir com urgência aos problemas atuais da petrolífera

SÃO PAULO – O presidente da bilionária Amec (Associação de Investidores de Mercado de Capitais), Mauro Rodrigues da Cunha, afirma que não pretende lançar seu nome a um novo mandato no conselho de administração da Petrobras (PETR3; PETR4). O motivo: ele está insatisfeito com a gestão que o acionista controlador, ou seja, o governo, faz dos problemas que a estatal enfrenta.

Com apenas dois parágrafos, o texto da “renúncia” tem tom de desabafo: “Tendo em vista minha frustração pessoal com a incapacidade do acionista controlador em agir com o devido grau de urgência para a reversão dos inúmeros problemas que trouxeram a Petrobras à sua atual situação […] informo que não pretendo lançar meu nome como candidato para um novo mandato”.

A associação que Cunha preside representa 63 investidores e responde por nada menos que R$ 500 bilhões aplicados na Bovespa. 

Cunha já demonstrou em outras ocasiões seu descontentamento com a gestão da petroleira. Em fevereiro, por exemplo, ele reclamou que os conselheiros da Petrobras souberam da nomeação de Aldemir Bendine como novo CEO da companhia pela imprensa e não por meio de uma reunião do conselho. “Os conselheiros tomaram conhecimento do nome do novo Presidente da Companhia pela imprensa, antes do assunto ser discutido”, criticou. Segundo ele, era mais uma prova de que o governo impõe a sua vontade sobre os interesses da empresa. 

Mais tarde, em março, o presidente da Amec pediu a renúncia dos conselheiros indicados pelo Estado, quando foram eleitos novos integrantes da Diretoria Executiva. Sete dos dez membros do Conselho de Administração da Petrobras foram indicados ou apoiados pelo acionista controlador.

Confira a íntegra do documento divulgado por Mauro da Cunha: 

“Tendo em vista minha frustração pessoal com a incapacidade do acionista controlador em agir com o devido grau de urgência para a reversão dos inúmeros problemas que trouxeram a Petrobras à sua atual situação – o que ficou ainda mais evidente com as propostas à Assembleia Geral Ordinária de 2015 – informo que não pretendo lançar meu nome como candidato para um novo mandato.

Agradeço a honra e a confiança em mim depositada nestes dois anos e faço votos de que a comunidade de acionistas e trabalhadores defendam a Petrobras dos abusos cometidos contra a Companhia.”