Ano para esquecer

Renault deixará de produzir cerca de 500 mil carros em 2021 diante de crise global de semicondutores

CEO global da Renault espera retomada da produção para fim de 2022

Por  Giovanna Sutto -

CURITIBA* — A Renault estima que deixará de produzir entre 400 e 500 mil carros em 2021 no mundo diante da crise global que impacta a linha de produção de veículos novos.

A perda de produção foi confirmada por Luca de Meo, CEO do Grupo Renault, dono das marcas Renault, Dacia, Lada e Alpine e parceiro da Nissan e Mitsubishi através de uma aliança de negócios, durante uma coletiva de imprensa na fábrica da Renault em São José dos Pinhais, próximo a Curitiba.

O problema, que já perdura desde o início deste ano, é a falta de peças, especialmente semicondutores, como chips, microprocessadores, LEDs, entre outros produtos que compõem a parte tecnológica do carro.

De Meo ressaltou que a Renault vem enfrentando muitas dificuldades, mas destacou que a fabricante não está sozinha.

“Todas as marcas estão com problemas porque temos poucos fornecedores. A pandemia e a crise decorrente dela pegou todos de surpresa. Estimamos perda entre 400 e 500 mil veículos somente neste ano, considerando mundo e Grupo Renault”, disse o executivo.

Ele se diz otimista: “agora já vejo uma luz no fim do túnel”.

“Em 2022 a situação vai melhorar, teremos um primeiro semestre ainda muito complicado, mas um segundo semestre que deve iniciar uma normalização. Em termos de crescimento ano que vem será melhor que este ano, mas poderia ser muito melhor se não tivéssemos uma crise na entrega de componentes”, diz.

Para ele, o planejamento da produção sem ter perspectiva da chegada de peças é complexo.

“Estamos em especulação. Temos que lidar com muitas incertezas: tem semana que temos 50 mil peças extras e outra que temos 30 mil a menos que o planejado. Apesar disso, estamos focados em manter nossa performance econômica buscando uma retomada dos negócios que já vinha em processo desde antes da crise”, explica.

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Crise de gestão

A pandemia adicionou mais desafios para o grupo, que já lidava com uma crise de gestão significativa.

Há cerca de três anos, Carlos Ghosn, ex-CEO brasileiro da Renault, foi preso por fraude fiscal. Ele escondeu US$ 70 milhões em salários e benefícios que recebeu de uma das maiores empresas do mundo.

De Meo assumiu a comando do grupo em julho de 2020, e substituiu Clotilde Delbos, que ocupava o cargo de forma interina desde a demissão de Thierry Bolloré, em outubro de 2019.

O atual CEO é italiano fazia parte do Grupo Volkswagen, onde trabalhava há 12 anos.

“Nos  últimos anos estamos enfrentando vários problemas: crise de gestão e governança e agora a Covid-19. É uma sequência complexa de eventos para lidar. Por isso, lidamos diariamente com decisões difíceis incluindo a necessidade de mudanças. O pior está ficando para trás, mas ainda lidamos com uma realidade difícil”, avalia De Meo.

Mudança no posicionamento

A Renault também afirmou que vai mudar seu posicionamento de marca: investimentos acontecerão em modelos híbridos e elétricos, bem como em veículos mais caros.

Atualmente a Renault é mais bem posicionada no mercado com veículos menores como o Sandero e o Kwid.

“Conversei com os executivos brasileiros e entendemos que é uma necessidade introduzir os modelos elétricos e híbridos aqui. E vamos avaliar se há volume suficiente para investir em opções com etanol”, disse.

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Além disso, a empresa francesa quer trazer plataformas globais adaptando ao cenário brasileiro.

“A nova gama será focada em eletrificados e no mesmo nível que comercializamos globalmente”, disse De Meo.

Ainda, ele também afirmou que o Kwid EV elétrico chega ao Brasil em 2022 e há a possibilidade de ser o modelo mais barato do segmento no país.

“Nos concentramos nos carros pequenos, com 70% do volume nas duas categorias de entrada, o que não é equilibrado. Muitos dos produtos internacionais estão em avaliação para serem nacionalizados já que a gama que estamos construindo globalmente tem potencial no Brasil também”, disse o CEO.

Fase ruim

Diante da situação, a Renault vem amargando prejuízos recordes. Em 2020, a marca teve um prejuízo de 8 bilhões de euros, ou cerca de US$ 9,6 bilhões: o pior resultado da história diante da pandemia.

Os dados mais recentes, publicados no último dia 22, mostram que a recuperação não dá sinais.

“Em um contexto fortemente perturbado pela crise dos semicondutores e as interrupções de produção, o Grupo Renault vendeu 599.027 veículos no terceiro trimestre de 2021, em queda de 22,3% em comparação com 2020”, disse a empresa em nota.

A queda do faturamento foi de 13,4% conforme o esperado e confirmando o impacto positivo da política comercial do grupo com foco em maior valorização das vendas, segundo a companhia.

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Simultaneamente à crise, a empresa passa por uma reestruturação liderada por De Meo. O novo plano estratégico, anunciado em janeiro deste ano, foi chamado de “Renaulution” e tem o objetivo de mudar a estratégia do Grupo Renault de produção de grandes volumes para geração de valor como marca.

O plano está estruturado em três fases lançadas em paralelo: a “Ressurreição”, que se estende até 2023, com foco em recuperação da geração de caixa e margens; a “Renovação”, que se estende até 2025, para gamas de produtos mais ricas e renovadas, alimentando a lucratividade da marca; e por fim, a “Revolução”, a partir 2025 para focar o modelo de negócios em mobilidade, tecnologia e energia, posicionando o grupo na posição de destaque na cadeia de valor das novas mobilidades.

*A repórter viajou a convite da Renault Brasil

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