Reajuste dos preços do aço deverá ficar entre 5% e 10%, acredita a Usiminas

Dumping, queda das importações e redução de margens foram outros assuntos discutidos na teleconferência dos resultados

Por  Thiago Salomão

SÃO PAULO – Dentre os principais assuntos abordados na teleconferência dos resultados de 2010 da Usiminas (USIM3, USIM5), os diretores da empresa deram ênfase à negociação da retirada dos descontos no preço do aço, à peceptível queda das importações do produto, às medidas desleais adotadas por seus concorrentes internacionais e também à possível recuperação das margens nos próximos trimestres.

A começar pelo possível retirada do desconto concedido pelas siderúrgicas, o vice-presidente de negócios da Usiminas, Sérgio Leite, explica que as negociações estão sendo tratadas com todos os envolvidos, devendo chegar a um resultado definitivo em 15 de março. “Os valores [do desconto] deverão ficar entre 5% e 10%”, acredita Leite. Os impactos, no entanto, deverão ser limitados no mês em questão, ficando mais evidente a partir do segundo trimestre do ano.

Importações em queda
Passando para a balança comercial de aço, os diretores deram destaque à recente queda das importações brasileiras. Segundo dados do Instituto Aço Brasil, as importações totalizaram 343,6 mil toneladas em janeiro, o que mostra uma queda de 10,6% em relação ao mesmo mês de 2010. “A gente já sente no início desse ano uma redução no nível de importação”, disse o presidente da siderúrgica, Wilson Brumer.

Olhando apenas para as importações de aço plano, o presidente destaca que o volume foi de 125 mil toneladas, lembrando que houve meses no final de 2010 que esse montante chegou à casa das 400 mil toneladas.

Dumping
Apesar da queda das importações, Brumer não deixou de salientar as práticas desleais adotadas por seus concorrentes internacionais para inibir as vendas da Usiminas no mercado internacional. “O que a gente tem pedido nos mercados é que o Brasil tome as mesmas medidas vistas lá fora para inibir a importação de aço”, disse o presidente, ressaltando que “nem a Usiminas nem o setor é contra a importação”, já que, assim como a empresa exporta aço para outras economias, não pode ser contrária à importação.

No entanto, o que incomoda os diretores é a pouca agilidade das autoridades brasileiras em enfrentar as represálias estrangeiras. “Infelizmente o País ainda não está preparado para enfrentar as práticas desleais adotadas pelos outros países”, afirmou Brumer, dando como exemplo o dumping, que ocorre quando um grupo de empresas atua na venda de produtos a um preço bem abaixo do normal, para assim eliminar possíveis entrantes em seus mercados.

“Nos Estados Unidos, uma acusação de dumping resulta em uma investigação dentro de 60 dias. Já aqui no Brasil, nós esperamos por um ano para que o pedido de investigação de dumping fosse aceito. Quanto tempo ainda vai demorar essa investigação já é outra coisa”, reclama o presidente da Usiminas. A companhia atualmente possui pedidos de dumping contra nove países – China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Taiwan, Rússia, Romênia, Turquia, Espanha e México.

Margens deverão se recuperar no 2T11
Voltando a falar do desempenho operacional, os diretores comentaram a brusca queda das margens da Usiminas, algo que já era esperado. Tendo em vista o cenário que tem se desenhado para o setor nesse começo de ano, Brumer estima que as margens deverão dar sinais de recuperação a partir do segundo trimestre de 2011.

Questionado sobre qual seria esse percentual de recuperação, o presidente disse que prefere não arriscar palpites para não criar nenhuma expectativa no mercado. “O que posso dizer é que não estamos felizes com as margens que temos apresentado e que estamos trabalhando para melhorá-las”, finalizou.

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