Reajuste do minério de ferro deverá ser em torno de 20% no 2T11, diz Vale

Diretores exaltam efeitos do modelo trimestral de preços e descartaram chance de reduzir prazo de ajuste para mensal

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SÃO PAULO – Em coletiva sobre os resultados de 2010 da Vale (VALE3, VALE5), os diretores da companhia falaram sobre os impactos favoráveis do novo sistema de precificação trimestral do minério de ferro nos números da companhia, e adiantaram que esperam um reajuste positivo nos preços em torno de 20% para o segundo trimestre de 2011.

O diretor executivo de marketing, vendas e estratégia da Vale, José Carlos Martins, destacou que esse sistema tem trazido impactos bastante positivos para a companhia nesse quase um ano de implementação, tendo em vista que o modelo acaba beneficiando quem tem um minério de ferro de maior qualidade. “No modelo novo, cada 1% de composto de minério acima dos 60% do modelo base te traz um efeito significativo nos preços”, explicou Martins.

No entanto, ele pondera que às vezes esse impacto pode ser negativo, tendo em vista que ele fica exposto à maior volatilidade dos preços no mercado spot (à vista). “Você vê, por exemplo, no quarto trimestre de 2010, que os preços tiveram uma queda em torno de 10% em relação ao trimestre anterior”, comentou o diretor da mineradora.

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Martins descarta ainda a possibilidade de reduzir o prazo de reajuste do sistema de precificação para um mês. “O sistema trimestral tem tido resultados bons e está funcionando bem nesse quase um ano de utilização. Então não faz parte dos nossos planos adotar um sistema de preços mais curto”, disse.

Investir sem se endividar
Partindo para o plano de investimentos da companhia, que tem mais de 33 projetos como meta para o final de 2015 e que poderá dobrar o tamanho da Vale, conforme já havia sido adiantado durante a manhã pelo CEO (Chief Executive Officer) da companhia, Roger Agnelli, o CFO (Chief Financial Officer) Guilherme Cavalcanti disse que não espera recorrer a fontes de financiamento adicional para suprir o forte montante de investimentos.

“A nossa geração de caixa é suficiente para cumprir com as nossas obrigações em investimento”, reforçou Cavalcanti. Em 2010, a Vale aportou US$ 12,7 bilhões em projetos de crescimento orgânico, além de US$ 6,7 bilhões em aquisições.

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Menos aquisições, mais crescimento orgânico
E por falar em aquisições, o CFO da empresa comentou que não possui uma quantia certa destinada exclusivamente para a compra de outras companhias, explicando que a Vale vai atrás de “aquisições oportunísticas”. “Uma vez que a gente identifica um ativo que possa trazer um valor para a Vale, a gente pode adquiri-lo”, explica o diretor.

No entanto, ele acredita que 2011 deverá ser marcado por maior foco no crescimento orgânico da mineradora. As oportunidades poderão surgir nas áreas de carvão e cobre, onde a empresa pretende aumentar sua participação.