Queda de 20% da Vale em 2015 foi exagerada? Santander acha que não e corta recomendação

Banco cortou recomendação para os ativos de neutro para underperform e cortou o preço-alvo em 43%, de US$ 8,00 para US$ 4,50, além de cortar estimativas para o minério de ferro

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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3;VALE5) caíram cerca de 20% no primeiro trimestre de 2015, mas o que a aguarda para o restante do ano pode ser ainda pior. É o que destaca a análise do Santander, em relatório, rebaixando a recomendação dos ADRs (American Depositary Receipts) de manutenção para underperform (desempenho abaixo da média do mercado). O preço-alvo do ADR para o fim de 2015 foi cortado de US$ 8,00 para US$ 4,50, uma baixa de 43,75%.

“Apesar da queda significativa, nós ainda recomendamos que os investidores fiquem vendidos em ações da Vale”, afirmam os analistas Felipe Reis e Renato Maruichi. 

Eles esperam um corte para o preço do minério de ferro de US$ 65 a tonelada para US$ 50 no segundo trimestre em diante e têm a expectativa de um  fluxo de caixa livre negativo de US$ 10 bilhões após os dividendos no período 2015-2016.

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E destacam a alavancagem da companhia que, se não vender ativos, o índice pode subir para 4,6 vezes até o final de 2016, acima dos covenants de 2015. 

Reis e Maruichi ainda destacam que a Vale tem uma desvantagem em relação aos seus pares australianos: o frete. “A grande desvantagem na rentabilidade da Vale em relação aos
pares australianos está nos fretes. Com apenas 20% do seu frete marítimo contratado no mercado à vista, acreditamos que a Vale não irá capturar todos os benefícios de preços mais baixos de frete internacional”, ressaltam os analistas.

E afirmam ainda que o baixo desempenho operacional da Vale causará um rombo em seu fluxo de caixa livre em 2015 e 2016. Como o capex deve seguir em alta devido à conclusão de vários projetos de investimento (especialmente S11D Carajás), a estimativa é de um fluxo negativo de aproximadamente US$ 6,0 bilhões em 2015, após os desembolsos de dividendos, e negativo de US$ 4,2 bilhões em 2016, totalizando mais de US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre negativo no prazo de dois anos. “Segundo nossas estimativas, a Vale irá gerar fluxo de caixa livre positivo somente em 2018”, ressaltam.
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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.