Antitruste

Processo nos EUA não deve prejudicar domínio de mercado do Google, dizem especialistas

Especialistas afirmaram que qualquer grande mudança na indústria de tecnologia provavelmente não ocorrerá como consequência do processo

Google
(Paweł Czerwiński/Unsplash)
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WASHINGTON – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e 11 estados do país iniciaram na terça-feira um processo contra o Google por supostas violações à legislação de concorrência, marcando a disputa antitruste mais importante desde que Washington enfrentou a Microsoft mais de duas décadas atrás.

Apesar da importância do caso, especialistas afirmaram que qualquer grande mudança na indústria de tecnologia provavelmente não ocorrerá como consequência do processo.

Especialistas antitruste veem o processo mais como um pequeno tremor do que como um terremoto. Mesmo que o Departamento de Justiça leve o caso a julgamento e consiga ganhar, o que não é garantido, qualquer mudança no papel desempenhado pelo Google na vida das pessoas provavelmente será gradual – e deve levar anos.

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“Eles não deveriam ver isso como ‘o começo do fim'”, disse Eleanor Fox, professora de regulamentação na Universidade de Nova York. “Certamente não irá atingir o que algumas pessoas pensam que há de errado com o Google.”

Críticos argumentam há anos que o Google e outras gigantes de tecnologia, como Amazon e Facebook, têm muito poder e abusam continuamente de seu domínio de mercado.

Na Europa, reguladores entraram com três processos antitruste diferentes contra o Google na última década e impuseram mais de 8 bilhões de euros em multas em resposta a reclamações sobre o serviço de comparação de preços do Google, seu sistema operacional Android e a plataforma de anúncios AdSense.

Christian Bergqvist, professor de direito da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, disse que a ação antitruste dos EUA mostrou que o país está adotando tardiamente a abordagem europeia mais cética em relação às empresas de tecnologia. “Acho que estamos convergindo de maneiras positivas”, disse Bergqvist.

Ainda assim, ele disse que o exemplo europeu traz alertas. Em um estudo publicado no mês passado, um acadêmico que assessora os concorrentes europeus do Google disse que o serviço de comparação de preços da empresa ainda está desrespeitando as regras da UE.

O Google nega a acusação. Mas está claro que anos de multas pesadas tiveram impacto limitado na dinâmica do mercado na Europa, onde o navegador Chrome tem uma fatia ainda maior do mercado do que nos Estados Unidos e o Android continua dominante.

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Ryan Shores, funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, disse na terça-feira que “nada está fora de questão” quando questionado em uma teleconferência sobre quais ações específicas deveriam ser tomadas. Mas especialistas da área duvidam que o governo chegue ao ponto de pressionar por um desmembramento da empresa e Bergqvist duvida que a solução seja viável.

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