Previ e queda da inadimplência impulsionam lucro do BB, dizem analistas

Citi e Ativa também ressaltam as fortes projeções para 2011, fato que pode levar à valorização dos papéis no curto prazo

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SÃO PAULO – A Previ e a queda na inadimplência tiveram importante participação no lucro líquido do quarto trimestre do Banco do Brasil (BBAS3), que superou as estimativas dos analistas, apesar da leve queda de 3,7% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. 

“A superação de nossas estimativas foi largamente explicada por ganhos relacionados à Previ maiores que o previsto, e menores provisões para créditos de liquidação duvidosa do que o antecipado (justificado pela contínua melhora na qualidade dos ativos)”, escreve Daniel Abut, em relatório do Citi.

Inadimplência
Tal visão é compartilhada por Luciana Leocadio, analista da Ativa, que destacou o desempenho da Previ e a inadimplência do banco, medida pelas operações vencidas há mais de 90 dias em relação ao total da carteira, que cedeu novamente, atingindo 2,3%.

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Abut, por sua vez, ressaltou a inadimplência medida por atrasos de 60 dias ou mais, que atingiu 2,8% em dezembro de 2010 e permitiu uma queda dos esforços com provisões para perdas com empréstimos e melhorar a cobertura dos inadimplentes.

Fortes projeções para 2011
No entanto, a analista da Ativa classificou o resultado como neutro, já que os valores do último trimestre foram próximos às expectativas do mercado, principalmente se os eventos não recorrentes não forem contabilizados. Ainda assim, Luciana ressaltou a possibilidade de valorização dos papéis no curto prazo diante das perspectivas positivas deste ano, que são sinalizadas pelas metas fornecido pelo Banco do Brasil.

“Consideramos o guidance de crescimento da carteira de crédito forte para 2011, diante do cenário de aperto monetário traçado para este ano, o que poderá levar a uma reação positiva nos papéis do banco no curto prazo”, escreve em relatório.

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Abut também chama a atenção para as projeções de 2011. “Nós destacamos que a diretoria introduziu o que nós caracterizaríamos como um crescimento otimista da carteira de empréstimos e do avanço das projeções com receita líquida de juros, prevendo uma expansão de 17% a 20% da expansão no portfólio de crédito doméstico neste ano, e de 16% a 20% de crescimento da receita líquida de juros do banco”, escreve.

Números fortes, mas sem surpresas
No entanto, retornando ao último trimestre de 2010, o analista do Citi revela que o volume de empréstimos foi forte, mas a receita ficou em linha com o esperado. Tal fato é justificado por uma leve deterioração no mix do portfólio, pressões competitivas – que afetam os spreads -, o impacto inicial das exigências de reserva de capital e menor recuperação do crédito, argumenta.

Do mesmo modo, as receitas com taxas vieram em linha com o esperado, apesar do forte avanço na base de comparação anual, impulsionada por taxas relacionadas com o segmento de seguros e de pensão, relação com consumidores e com os cartões de crédito e débito. As despesas também cresceram em linha com o projetado pelo Citi, influenciadas por aumento dos gastos administrativos e com pessoal.