Presidente da Usiminas não comenta preços, e traça cenário difícil para o setor

Executivo disse que siderúrgicas não terão mais margens como antes, e destaca ações para melhorar competitividade

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SÃO PAULO – Prevendo um cenário bastante difícil para a indústria siderúrgica brasileira, Wilson Brumer, presidente da Usiminas (USIM3, USIM5), falou na noite da última terça-feira (7) a analistas sobre os planos da companhia para os próximos anos, em reunião promovida pela Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais).

Brumer afirmou que é preciso repensar a siderurgia, em meio a uma alta demanda por matérias primas e uma capacidade ociosa na indústria de aço. Além disso, o executivo afirmou que o valor na cadeia siderúrgica migrou para as matérias primas (minério de ferro e carvão) ao invés do produto final.

“O setor não vai mais oferecer margens como antes”, disse Brumer, prevendo que 2011 ainda será um ano difícil para a siderurgia. Apesar disso, o executivo afirmou ainda estar otimista com o longo prazo.

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Problemas
Nas matérias primas está o primeiro dos problemas do setor. O mercado de minério de ferro, controlado por três grandes players, não deve ver um excesso de oferta diminuindo os preços, explicou Brumer. Ele também frisou que não acredita que a alta no preço do minério possa ser repassada pelas siderúrgicas aos consumidores.

Já no carvão mineral, a oferta não é grande e, segundo o executivo, “não há solução rápida”. Uma parceria, de acordo com o executivo, seria positiva, mas não é tão fácil achar um parceiro que atenda às necessidades da companhia.

Outra questão é a menor competitividade do Brasil. “O Brasil não é mais um produtor de baixo custo”, pontuou. Por aqui, a taxa cambial atual não favorece, assim como os altos custos de energia e mão de obra. Brumer também lembrou que o País tem desvantagens estruturais, como a falta de logística para o transporte de produtos e matérias primas.

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Segundo Brumer, o que mais preocupa em relação a China não é a importação de aço bruto em si, mas produtos finais chineses, que poderia levar a uma desindustrialização do Brasil.

Reação do setor
Ele explicou que o setor vem reagindo a essas maiores importações, via ações antidumping e políticas de preço mais agressivas. Ele espera que no primeiro trimestre de 2011 já haja uma queda nas importações de produtos siderúrgicos. Brumer se mostrou cético quanto a possibilidade de um aumento na tarifa de importação de aço. “Não acredito em um imposto para somente um elo da cadeia produtiva”, disse.

Além disso, o executivo também apontou algumas das iniciativas da empresa para cortar custos e retomar a competitividade, com redução do consumo de carvão e coque, maior utilização de gás natural, entre outras.

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As iniciativas, contudo, têm sido ofuscadas por fatores exógenos – como câmbio e preços de matérias primas. Por isso, em 2011 o custo da Usiminas em bobina quente ainda deve ficar quase 20% acima do benchmark internacional, apesar de todos os esforços.

Perspectivas
De acordo com Brumer, é esperada uma recuperação da demanda por aço nos próximos anos, o que pode vir acompanhado de um acirramento da competição. A Usiminas, então, montou uma nova agenda para criar valor em seu negócio. Melhorar a eficiência operacional e identificar tendências de mercado estão entre os principais objetivos.

A abertura de unidades de negócios faz parte da nova estratégia, para tentar fazer com que o mercado perceba o real valor da companhia, explicou o executivo. Um IPO (Initial Public Offering) da Mineração Usiminas, contudo, segue em segundo plano.

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A ideia é que a Mineração Usiminas produza 29 milhões de toneladas de minério de ferro em 2015. Os investimentos esperados para a empresa são de R$ 4,1 bilhões, na busca da Usiminas por margens melhores. No terceiro trimestre, o negócio de mineração teve margem Ebitda (relação entre receita líquida e geração operacional de caixa) de 70%, enquanto a siderurgia marcou 18% e a transformação de aço 4%.

Já no caso da siderurgia, a empresa quer ampliar o portfólio de alto valor agregado, explorando melhor os eixos de transformação de aço e bens de capital e tentando aproveitar a demanda do País. “A linha de galvanização deveria ter ficado pronta há dois anos? Talvez. Perdemos a oportunidade de nos aproveitar do avanço da indústria automobilística”, explicou.

A expectativa de investimentos é de R$ 2 bilhões pra siderurgia no ano que vem, e entre R$ 10 e R$ 11 bilhões em investimentos entre 2011 e 2015. Ainda sobre o assunto, Brumer explicou que a decisão de desistir do projeto de Santana do Paraíso foi tomada para agregar mais valor a empresa, já que o projeto não se mostrava mais tão favorável.

Além disso, ele ainda afirmou que a empresa vai se desfazer do investimento na Ternium, que não é mais estrategicamente interessante. Isso, contudo, não tem prazo para acontecer, e deve ser feito de forma “tranquila”.

Sem comentários
Assim como fez o presidente da Gerdau (GGBR4) na última semana, Brumer não quis comentar se a indústria brasileira segue concedendo descontos aos clientes para tentar diminuir as exportações. “Não comento política comercial”, limitou-se a dizer. “Não há política de desconto, estamos praticando preços de mercado”.