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SÃO PAULO – Durante encontro com analistas promovido pela Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), o presidente da CPFL Energia (CPFE3), Wilson Pereira Junior, utilizou boa parte de sua apresentação para explicar os impactos provocados pela adoção da norma IFRS (International Reporting Financial Standards) nos resultados de 2010 da empresa.
Dentre os 67 pontos no balanço da companhia afetados pelo novo padrão contábil, Junior deu grande ênfase ao reconhecimento das receitas de construção no cálculo da receita líquida e dos custos de construção para o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização).
O valor desse componente é o mesmo para os dois indicadores, mudando apenas o sinal – na receita líquida, o efeito é positivo, ao passo que no Ebitda ele entra como negativo. “Esse mesmo valor [da receita de construção] é abatido no Ebitda como custo, não gerando mudança no resultado do ano, mas causando distorção na comparação com 2009”, explica o presidente da companhia.
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Impactos no balanço
Para ilustrar esses impactos, a receita líquida da CPFL, que nos padrões contábeis anteriores teria mostrado alta de 3,7% ante 2009, teve evolução de 5,9% nas normas IFRS, já que a receita de construção no ano passado foi de R$ 1,044 bilhão, enquanto em 2009 ela havia ficado em R$ 616 milhões.
A geração operacional de caixa, por sua vez, teve retração de 3% em IFRS na mesma base comparativa, embora nos padrões anteriores o indicador tenha mostrado forte expansão de 16,9%. Seguindo a queda do Ebitda, o lucro líquido passou de uma variação positiva de 20% nos padrões anteriores para uma queda de 7,6% nas normas atuais.
Novo resultado financeiro pressiona dividendos
Outra alteração contábil exaltada por Junior foi no resultado financeiro, com a não contabilização de ativos e passivos regulatórios. Embora no exercício de 2010 o efeito tenha sido negativo em apenas R$ 3 milhões, o peso mais sentido foi no anterior, quando ele marcou R$ 207 milhões negativos, refletindo o resultado ruim dos fundos de pensão da companhia em 2008, ano adotado como referência pela IFRS.
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Por conta disso, o montante de dividendos distribuído caiu de R$ 774 milhões para R$ 486 milhões entre o primeiro e o segundo semestre de 2010, enquanto o dividend yield (relação entre o dividendo pago por ação e a cotação da ação) recuou de 8,6% para 6,9% – com isso, tanto a quantia destinada para dividendos quanto o dividend yield atingiram seus menores patamares desde o primeiro semestre 2005, decepcionando analistas.