Prejuízo de R$ 6,8 bi não assusta e ações da Eletrobras disparam na bolsa

Mesmo após registrar a maior perda entre as companhais de capital aberto no País em 2012, as ações ON e PN da elétrica lideram os ganhos do Ibovespa nesta sessão

Usina Hidrelétrica de Tucuruí *** Local Caption *** Comportas abertas da usina de Tucuruí
Usina Hidrelétrica de Tucuruí *** Local Caption *** Comportas abertas da usina de Tucuruí

Publicidade

SÃO PAULO – Mesmo com o maior prejuízo das companhias abertas em 2012, a Eletrobras (ELET3; ELET6) vê suas ações lideraram a ponta positiva do Ibovespa nesta quinta-feira (28).

Às 11h14 (horário de Brasília), as ações ordinárias da empresa subiam 4,96%, sendo cotadas a R$ 6,56, enquanto as preferenciais avançavam 8,05%, a R$ 11,81. No mesmo horário, o Ibovespa registrava queda de 0,26%, a 56.888 pontos. 

Na máxima do dia, os papéis ON atingiram ganhos de 7,68%, a R$ 6,73, e os PN, valorização de 11,16%, a R$ 12,15. 

Continua depois da publicidade

Prejuízo de R$ 6,8 bi não assusta
Apesar desse desempenho, a Eletrobras encerrou o exercício de 2012 com prejuízo líquido de R$ 6,878 bilhões, após lucro líquido de R$ 3,732 bilhões no ano anterior, segundo demonstração financeira consolidada divulgada na manhã desta quinta-feira (28) pela empresa. Foi o pior resultado divulgado por empresas de capital aberto até agora no país, ficando na frente de PDG Realty (PDGR3) e Gol (GOLL4), com prejuízos de R$ 1,79 bilhões e R$ 1,51 bilhões em 2012, respectivamente.

Somente no quarto trimestre, o prejuízo líquido somou R$ 10,499 bilhões, contra ganho de R$ 557 milhões no mesmo período de 2011. Esse resultado é pior do que o valor de mercado da empresa, que atingiu no último pregão R$ 9,69 bilhões. 

Segundo a companhia, a perda foi influenciada por “eventos atípicos” – perdas contábeis, contratos onerosos e indenizações -, que somam R$ 11,6 bilhões. A maior parcela do baque, contudo, foi atribuída aos efeitos da Lei 12.183, de renovação das concessões de energia elétrica, que significou para estatal uma perda de R$ 10,085 bilhões no quarto trimestre.

Continua depois da publicidade

Por que os papéis sobem?
O desempenho dos papéis, contudo, não é abalado pela sombra do prejuízo bilionário. Segundo o analista Eduardo Machado, da Amaril Franklin, as ações refletem principalmente dois anúncios feitos hoje: a aprovação, pelo Conselho da Administração da companhia, do plano de negócios para gestão de 2013 a 2017, no valor de R$ 52,4 bilhões; e o pagamento de juros sobre o capital próprio dos papéis preferenciais em linha com o anunciado no ano anterior.

A companhia atribuiu remuneração aos acionistas preferenciais no valor de R$ 433,9 mil, contra R$ 433,9 mil em 2011. A distribuição de proventos dos papéis ordinários, contudo, foi cortada para R$ 433,9 mil, sendo que em 2011 foram distribuídos R$ 632,9 mil em juros sobre capital próprio – um dos motivos para justificar um avanço menor das ações ON neste pregão em relação as PN. 

Apesar dos anúncios, Machado pondera que a alta dos papéis vista hoje é “exagerada”, e tende a ser seguida por queda das ações nos próximos dias, principalmente porque comunicados como de plano de negócios não oferecem segurança aos acionistas quanto ao impacto que terá nos próximos resultados e se sairá realmente do papel.