Adaptação

“Precisamos estar na cabeça, no coração e no bolso de todo mundo durante a crise”, diz Luiza Trajano

Executivas do Magazine Luiza e Cia de Talentos compartilham desafios e tentativas de soluções para atravessarem a crise

Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza
Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza (Flavio Santana/Biofoto)
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SÃO PAULO – “Precisamos estar na cabeça, no coração e no bolso de todo mundo mais do que nunca na crise”, afirmou Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, durante uma live com Sofia Esteves, fundadora da consultoria de recrutamento e seleção Cia de Talentos, e Karla Godoy, COO do Cesar, centro de inovação e tecnologia.

Segundo a executiva, as empresas devem aceitar as mudanças que estão acontecendo e acatar a chegada do sistema digital.

“Ninguém sabe o que vai acontecer, então não adianta fazer previsões. A nova realidade é fato, nada será como antes, sejam os tamanhos de escritórios, as relações entre as pessoas. O digital é uma cultura e que já foi implementada nessa crise. Essa tecla não será batida e o digital chegou”, afirma.

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“Levaria dez anos para consolidar o digital como cultura, mas em dez dias a crise o fez. O Magazine Luiza já era digital e mesmo assim estamos nos reinventando. Quando entendemos essa nova fase, nos abrimos para o novo e uma mudança na empresa começou. Agora precisamos pensar como vamos evoluir daqui para frente para que continuamos a ter vendas e lucros pelo digital”, explica.

As lições da crise

Sofia pontuou cinco lições que empresas e funcionários devem tirar dessa crise para superá-la e melhorar depois dela: cuidar, performar, ter empatia, confiar e flexibilizar.

“Cuidar dos líderes e liderados. Não conheço uma pessoa que não esteja trabalhando muito mais do que no passado. Engajar o capital humano se preocupando com ele é valioso nesse momento”, explica.

Sofia lembra que a pressão é alta em todas pontas nesse momento. “Se o empregado está desesperado, o líder está mais, porque tem que entregar resultado de qualquer maneira. As pessoas têm que se ajudar. E todo mundo tem que dar um pedaço de si, seja ganhando menos, trabalhando mais, para atravessar a crise sem perder o emprego”, afirma.

As empresas precisam construir confiança entre as partes: chefe e empregado, segundo Sofia.

“Eu diminui o salário de todos os colaboradores em 2008 com a crise para não demitir ninguém. Em dezembro daquele ano, o pouco de lucro que demos distribui para todos os colaboradores. Nesse ano, os meus funcionários se prontificaram a ganhar menos temporariamente. Isso é relação de confiança, ainda dá tempo de todas as empresas começarem essa relação do seu próprio jeito”, afirma.

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Por fim, a flexibilização é a chave do sucesso em tempos de coronavírus. “Os empregados estão em casa, com uma série de adversidades que no escritório não tinham que lidar pessoalmente: estrutura, filhos e a distância. Seja flexível para entender facilitar horários e seja humano”, afirma Sofia.

Luiza acrescenta que, nesse momento de crise, também é importante ter responsabilidade. “Temos 40 mil funcionários. E tomamos medidas duras, mas com responsabilidade porque temos que manter a empresa de pé, ao mesmo tempo que cuidamos de 40 mil famílias”, afirma.

Karla complementa: “empacoto esses pontos no que chamo de cultura organizacional no Cesar. Nas reuniões focamos nas soluções e no capital humano”.

Medidas do governo para as empresas

Para Luiza, as medidas poderiam ser melhores, mas o que foi feito já é algo positivo. “Se olharmos para o mundo, países como EUA e França também soltaram suas medidas pouco a pouco e estão acompanhando o que está acontecendo. Demos pequenos passos, mas demos”, diz.

“Ao invés de criticar, ajudei na formatação das medidas para pequenas e medias empresas junto ao Instituto para Desenvolvimento do Varejo e montei uma cartilha explicativa das medidas já anunciadas auxiliar na implementação, porque eu já fui pequena  e sei o que é trabalhar num dia para pagar no outro”, complementa.

O Magalu instituiu a redução de jornada e reduziu o salário de todos os funcionários para a atravessar a crise. “A primeira medida foi colocar todo mundo de férias. Semana passada o período venceu e começamos a adotar novas medidas. Conselho e diretores já tinham aberto mão de parte de seus salários e todos os funcionários terão de se sacrificar um pouco agora. Mas nos comprometemos a não demitir ninguém pelos próximos dois meses. Mandar embora agora é tiro no pé, porque você tira poder de compra de mais uma consumidor”, diz.

A varejista está com as lojas físicas fechadas em todo o Brasil, dado o isolamento social e a crise. “Precisamos nos adaptar. Fechamos as lojas, mas só vamos abrir quando cada cidade autorizar. Temos um time de analytics focado na crise que está analisando a situação para ver quando é seguro abrir”, explica.

“Não adianta ficar discutindo questões pequenas e criar intrigas com concorrentes, temos que levantar e ajudar o Brasil a superar essa fase”, disse Luiza.

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Ela explica que o próximo passo que vai seguir no sentido de ajudar o país é focar nas microempresas que não estão tendo acesso às medidas anunciadas. “Não temos o ideal, mas é próximo ao que o mundo está tentando fazer. Minha próxima luta é para auxiliar as pequenininhas que não estão tendo acesso ao dinheiro”, diz.

Sofia acredita que a configuração das relações de trabalho já mudou. “Vejo cada vez mais pessoas trabalhando por projetos, com horários flexíveis. Nós teremos desemprego, não tem jeito, mas o estado e as empresas precisam entender que quando menos eu tirar da base da pirâmide, mais eu ajudo o Brasil. Para uma crise sem precedentes precisamos usar a criatividade e novas soluções de problemas”, diz.

“Aquele quadrinho que todo empresário tem em cima da mesa, que lista os valores e cultura da empresa: é agora a hora de provar que você o segue à risca”, complementa a executiva da Cia de Talentos.

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