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Opinião

Pouso forçado de helicóptero na Faria Lima e o prejuízo que salvou vidas

O prédio do BBA se destaca não apenas pela beleza, mas pelo fato de ser um prédio baixo, com poucos andares. Agora, ele salvou vidas

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No condado da Faria Lima temos dois prédios icônicos, daqueles que os gringos chamam de “trophy”, pois além da qualidade, localização e demais atributos de um bom imóvel, a arquitetura faz com que se tornem verdadeiros símbolos da cidade.

Na Faria Lima, os dois ficam frente a frente. Todo mundo sabe qual é o prédio do BBA e o prédio do Google, e ambos têm histórias curiosas que ajudam a explicar a arquitetura.

No caso do prédio do Google (Pátio Malzoni), há no terreno uma construção tombada pelo patrimônio histórico, que não podia ser derrubada. Por isso foi construído um vão livre, de maneira que o prédio passa por cima da casa. São duas torres bem altas, ligadas por uma torre horizontal.

Já o prédio do BBA se destaca não apenas pela beleza, mas pelo fato de ser um prédio baixo, com poucos andares. E aí também tem uma história interessante que explica. Faltou CEPAC.

CEPAC é o Certificado Adicional de Construção, um título que é emitido pela prefeitura, vendido em um leilão na B3 e depois negociado em bolsa (veja PMSP11B e PMSP12B). Esse título, como diz o nome, dá direito a construir mais metros quadrados do que originalmente permitido pelo plano diretor.

De maneira simples, cada CEPAC dá direito a construir x metros quadrados a mais em uma região predeterminada. Mas há limites estabelecidos por lei tanto de tamanho quanto sobre destinação, residencial ou comercial.

A construtora interessada em aproveitar ao máximo o potencial construtivo de um terreno precisa comprar CEPAC no mercado (pagando em dinheiro) e entregar na prefeitura, onde valem metros quadrados adicionais.

É um sistema interessante e que funciona muito bem, pois o dinheiro arrecadado pela prefeitura com a venda dos CEPAC é obrigatoriamente utilizado para construir obras de infraestrutura na região. Para citar dois exemplos bem conhecidos por todos, a ponte estaiada em São Paulo e a região do Porto no Rio de Janeiro (onde hoje fica o museu do amanhã) foram construídos com recursos da venda de CEPAC.

Muito bem, mas e o prédio do BBA nessa história?

Você já se perguntou por que alguém construiria um prédio com apenas 5 andares em uma das avenidas onde o custo do terreno é um dos mais caros do Brasil? Na próxima vez que você passar por lá, perceba como esse é o único prédio baixo naquela região.

O que aconteceu ali é que a empresa incorporadora perdeu o timing para compra de CEPAC e ficou sem ter como construir um prédio alto. Isso aconteceu entre 2009 e 2010, na época o CEPAC Faria Lima era negociado por cerca de R$ 2.000,00 e o potencial de construção de imóveis comerciais já estava se esgotando, portanto era vital comprá-los a tempo, mas não foi o que aconteceu.

A incorporadora não conseguiu fechar a compra dos títulos e, com isso, perdeu a chance de construir um prédio que tivesse até quatro vezes o tamanho do terreno. Resultado? Um lindo prédio de poucos andares que utiliza pouco mais do que uma vez o tamanho do terreno e um prejuízo, pois imagine quanto lucro a mais teriam se construíssem um prédio maior.

Bem, nada como um dia após o outro. Hoje esse prejuízo ajudou a evitar uma tragédia na Faria Lima, quando um helicóptero conseguiu fazer um pouso de emergência bem ali, justamente por sua altura limitada. Se o prédio já era conhecido pela arquitetura, agora será também lembrado por esse evento, que será contado de geração para geração de faria limers nos happy hours do condado e nas salas de aula dos cursos de finanças.

Arthur Vieira de Moraes é especialista em fundos imobiliários, professor do InfoMoney e apresentador do programa Fundos Imobiliários, com experiência de 20 anos no mercado financeiro e de capitais. Ele explica que não participou dos processos de incorporação, negociação do CEPAC ou outras fases da obra do prédio em questão, portanto, o texto acima é apenas um relato. 
Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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