Ponta do iceberg? Multa de R$ 1,6 bi da Petrobras coloca dividendos em risco

Se 20% das contingências da Petrobras forem provisionadas, analistas do Morgan acreditam que companhia poderá, novamente, não pagar o dividendo mínimo aos acionistas preferencialistas

Publicidade

SÃO PAULO – Após derrota em processo administrativo sobre incidência de IOF em transações no exterior, a Petrobras (PETR3; PETR4) informou ontem que pagou R$ 1,6 bilhão à Receita Federal. Embora o montante corresponda a apenas 2,3% do Ebitda (Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) esperado para a estatal em 2015, o notícia pode ser a ponta do iceberg para a empresa, diz o Morgan Stanley, em relatório desta sexta-feira (17), citando riscos ao lucro da empresa, dividendos e alavancagem se mais notícias como essa aparecerem durante esse ano. 

Segundo os analistas Bruno Montanari e Madalena Carmona e Costa, do banco, apesar do baixo valor referente à geração de caixa esperada para a empresa e seu valor de mercado (de somente 1%), a multa corresponde a 12% do LPA (Lucro por Ação) esperado para a empresa esse ano e apenas 1,7% da contingência fiscal não provisionada.

De acordo com cálculos do banco, a petrolífera tem R$ 96 bilhões em contingências fiscais que não estão provisionadas em seu balanço financeiro. Do montante total, o segundo maior grupo dos potenciais passivos (R$ 7,2 bilhões) vem de juros de IOF referentes a operações realizadas entre a companhia e suas subsidiárias no exterior entre 2007 e 2010. 

Continua depois da publicidade

Embora não acreditemos que as decisões negativas atinjam 100% das contingências, acreditamos que os riscos devem ser monitorados, disseram os analistas. Segundo eles, se 20% das contingências forem provisionadas, a Petrobras poderá atingir o “break even” fiscal em 2015 e, novamente, não pagar os dividendos mínimos para os acionistas preferenciais. Além disso, apontam, as métricas de alavancagem da companhia poderá sofrer com mais deterioração. 

Para eles, a companhia deverá continuar a gerar fluxo de caixa negativo até 2018 e que seu fluxo de caixa beneficiará primeiramente os detentores de bonds, em detrimento dos investidores em ações. O banco mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média) para a Petrobras.