Planner reduz preço justo para MMX em 49%, para R$ 2,85

Analista destaca que companhia possui um ótimo projeto, mas forte dívida e necessidade de investimentos combinada à dependência do BNDES prejudica companhia
Igarape, 04 de novembro de 2011Imagens das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro
Igarape, 04 de novembro de 2011Imagens das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro

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SÃO PAULO – Quando a Planner Corretora iniciou a cobertura para as ações da MMX Mineração (MMXM3), em janeiro deste ano, o analista Luiz Francisco Caetano destacou que ainda não era o melhor momento para investir nas ações destacando que somente a partir de 2015 a companhia teria um cenário mais promissor para a entrada em seus papéis. Passados três meses, esse momento parece ainda mais distante, o que fez o analista revisar algumas projeções para baixo.

A corretora possuía recomendação neutra para os ativos da companhia, com um preço justo de R$ 5,60, avaliando que o mercado ainda iria demorar a precificar melhor o papel. Agora, Caetano reduziu o preço justo para R$ 2,85 – uma redução de 49%. Apesar do corte, o novo alvo configura um potencial de valorização de 52,41% em relação ao fechamento de quarta-feira (17). 

Dívidas preocupam
O analista ressalta que a empresa está revisando o seu plano de negócios e, na última terça-feira, o presidente da MMX indicou que poderá postergar investimentos e reduzir as expectativas de produção. A companhia está investindo maciçamente para triplicar a capacidade de produção na Serra Azul, investindo R$ 4,8 bilhões em quatro anos, e finalizar a construção do Porto Sudeste. 

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No entanto, o elevado montante de dívidas, que somavam R$ 2,6 bilhões em dezembro de 2012, conjugado a baixa geração de caixa, com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimado de apenas R$ 178 milhões em 2013, seguramente podem inibir investimentos, como já alertou o presidente da empresa.

Contudo, a empresa depende do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para finalizar os seus investimentos. A empresa deve receber um complemento de R$ 700 milhões para terminar as obras do porto e conseguiu, em novembro de 2012, financiamento no valor de R$ 3,2 bilhões para investir na mina. 

Caetano destaca que o pedido de financiamento seja apreciado pelo comitê de crédito do BNDES durante o terceiro trimestre. ”No entanto, mesmo se aprovado o financiamento, os desembolsos só devem ocorrer após a concessão da licença ambiental para a construção da barragem de rejeitos na Mina da Serra Azul’, avalia.

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Assim, uma barragem de rejeitos é um ponto sensível para os órgãos ambientais, porque um acidente traria graves impactos ao meio ambiente e esse tipo de problema já ocorreu na região com o rompimento delas. A MMX, por outro lado, estima que possa conseguir a licença entre agosto e setembro. 

Excelente projeto, mas é necessário capital
O analista da Planner destaca que a MMX possui um excelente projeto
, que integra ativos minerais já existentes com a ferrovia a qual a empresa tem contrato de longo prazo, para exportar o minério através de um porto próprio. Porém, são necessários investimentos de R$ 4,2 bilhões, que dependem basicamente do BNDES para sua execução.

A concessão deste tipo de financiamento normalmente  exige vários tipos de garantias, que incluem aquelas dadas por ativos da MMX e outras pela holding do grupo. Em meio à crise de credibilidade enfrentada pela EBX, a aceitação das garantias do BNDES pode não ser fácil, aponta. Nesta semana, o banco informou que já havia financiamentos contratados no valor de R$ 9,1 bilhões com o grupo EBX, montante bastante elevado considerando a elevação de caixa das empresas. 

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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.