Balanço sai hoje!

Petrobras virou a página e, enfim, começa 2015: o que esperar para o 1º tri?

A expectativa não é das melhores, com a companhia devendo registrar queda no lucro na base de comparação anual e um pior resultado operacional, destacam analistas

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SÃO PAULO – O último dia 22 de abril de 2015 foi histórico para a Petrobras (PETR3;PETR4). A companhia divulgou os números fechados de 2014 e contabilizou as perdas com corrupção de R$ 6,2 bilhões, totalizando um prejuízo de R$ 21,58 bilhões no ano anterior.

As polêmicas envolvendo a companhia continuam, mas a estatal finalmente conseguiu entrar em 2015 e irá divulgar hoje, depois do fechamento no pregão, ela dará mais indicações sobre os passos que estão sendo dados pela companhia. E a expectativa não é das melhores, com a companhia devendo registrar queda no lucro na base de comparação anual.

E, apesar do resultado expressivo de R$ 26,6 bilhões de prejuízo no quarto trimestre de 2014, a expectativa é de que os números operacionais da estatal sejam inferiores nos primeiros três meses de 2015, destaca a Ágora Corretora.

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Conforme avalia o analista Luiz Otávio Broad, a queda do resultado operacional se deve a baixa de 7,3% no volume de vendas e a baixa de 28% no preço do barril de petróleo brent, afetando a receita de exportação e os produtos vendidos internamente que têm preços atrelados ao preço do petróleo (como nafta e querosene de avaliação). Por fim, está o efeito estoque negativo, uma vez que o petróleo foi comprado a preços mais elevados.

Por outro lado, aponta Broad, há três fatores positivos: o prêmio positivo na venda de gasolina e diesel no mercado interno, a maior exportação de petróleo e o menor custo de importação e de participações governamentais em função da queda do preço de commodity.

Porém, a XP Investimentos avalia que, pelo lado positivo o segmento de abastecimento, gasolina e diesel, deve apresentar lucro, devido ao maior nível de preços no mercado doméstico até meados de fevereiro, o que ajudará na formação do lucro da companhia no primeiro trimestre. “Seguimos céticos em relação ao ativo e recomendamos para quem quer manter exposição ao mesmo que tenha uma proteção via fence”

A expectativa da Ágora é de que o lucro líquido da companhia caia 48,6%, passando de R$ 7,789 bilhões nos primeiros três meses de 2014 para R$ 4,004 bilhões em 2015, prejudicado pela perda contábil com a desvalorização do real ante o dólar. Já o analista independente do blog WhatsCall, Flávio Conde, a projeção é de um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões. 

Já segundo o Itaú BBA, as receitas devem ser atingidas pela queda dos preços de petróleo, bem como os volumes sazonalmente mais baixas, que eram parcialmente compensados pelo impacto total do aumento do diesel e os preços da gasolina. Por outro lado, os custos de importação do diesel e da gasolina devem cair significativamente devido à redução dos preços internacionais.

Com relação aos custos de extração, também são esperados para mostrar uma ligeira redução na sequência do aumento da produção e da depreciação, enquanto é provável que a operação de refino se mantenha. “Nós não esperamos nenhuma redução relevante nas despesas gerais e administrativas, a não ser quando comparado ao quarto trimestre, que é um trimestre mais afetado por despesas de fim de ano.

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Endividamento preocupa
A maior preocupação do mercado, ressalta a XP Investimentos é com o endividamento da companhia, que deve superar a relação de 5 vezes a relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), gerando bastante preocupação em relação ao futuro e redução da dívida, mesmo com a redução no capex e venda de ativos.

“Fora isso, a dívida terá o impacto da elevação de 21% do dólar no trimestre, como a empresa possui R$ 350 bilhões em dívida e 72% atrelada à moeda norte-americana”.

Conforme destaca Flávio Conde, o endividamento líquido (endividamento bruto/total das dívidas – caixa/disponibilidades) que atingiu R$ 282 bilhões no final de 2014 vindo de R$ 221 bilhões no final de 2013. “Esse endividamento líquido deve ter subido em função da correção das dívidas atreladas ao dólar, euro e iene terem crescido com a desvalorização do real durante o primeiro trimestre”.

Para ele, dois indicadores de alavancagem muito usados pelas agências de rating de crédito também devem piorar com: (i) endividamento líquido/(endividamento líquido somado ao patrimônio líquido) para 52% no primeiro trimestre de 48% no quarto trimestre. Enquanto isso, o índice de dívida líquida em relação ao Ebitda deve passar para 5,44 vezes.