“Petrobras tem que entregar para obter confiança de volta”, diz executivo da Odebrecht

De acordo com Roberto Ramos, que falou durante evento realizado pela NBCC, melhorias para petrolífera só ocorrerão a partir de 2016 e companhia enfrenta desafios para dobrar sua produção

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SÃO PAULO – Em evento sobre o setor de petróleo e gás do Brasil realizado pela NBCC (Câmara de Comércio Noruega-Brasil) no dia 30 de janeiro, o CEO (Chief Executive Officer) da Odebrecht Oil & Gas, Roberto Ramos, fez considerações importantes sobre uma de suas principais clientes: a Petrobras (PETR3;PETR4).

De acordo com o reportado pelo site da NBCC, Ramos afirmou que a companhia petrolífera mais endividada do mundo enfrenta dificuldades em satisfazer a sua meta de dobrar a produção até 2020 para 4,2 milhões de barris por dia e que pode enfrentar limitações financeiras para acelerar o seu desenvolvimento. Para Ramos, o ambicioso plano de negócios da companhia 

“A Petrobras está fazendo o que pode para mobilizar a sua engrenagem, equipamentos e investimentos e um enorme número de plataformas está entrando em produção em 2014 e 2015, mas o resultado se dará em breve?”, destacou Ramos no evento. Além disso, o executivo também destacou que o balanço da Petrobras pode limitar o aumento da velocidade de seu desenvolvimento. Enquanto isso, os atuais sistemas de logística não seriam capazes de lidar com uma produção dobrada da Petrobras.

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Mesmo com os desafios, as perspectivas são positivas para o setor de petróleo e gás no País: “ainda há grandes áreas a serem exploradas no Brasil, com um enorme potencial e novas fronteiras a serem exploradas. Levando em conta as reservas do pré -sal, o Brasil irá se classificar entre os dez principais países produtores de petróleo” , disse Ramos.

Neste cenário, Ramos também destacou o leilão no Campo de Libra, que ocorreu em outubro do ano passado, lembrando que esta é uma das maiores descobertas do pré-sal e ‘que é muito importante para o Brasil’. A Petrobras, destacou, vai manter a liderança no mercado brasileiro e que continuará a comprar blocos. 

Desta forma, o Brasil tem um “prato cheio”, aponta Ramos, mas há desafios grandes pela frente, como a falta de mão de obra qualificada e uma falta de confiança no mercado brasileiro. E o último é o principal, aponta o executivo: “falta de confiança significa menos investimentos. Para obter a confiança de volta, a Petrobras tem que entregar”, ressaltou.

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Por outro lado, Ramos destacou que a logística, um dos grandes gargalos para a Petrobras, não afeta somente a companhia brasileira no País, e sim outros grandes, como Repsol, Shell e Statoil, que também estão investindo pesado. “Não há margens para excesso”, destacou. 

Sem grandes revoluções 
Sobre o ano de 2014, Roberto Ramos afirmou que não haverá grandes mudanças. “O ano de 2014 não será um ano de grandes mudanças. 2015 será um ano de ajustes. A partir de 2016, podemos ver melhorias. A questão é como a Petrobras lidará com isso”.

Ramos também apontou dúvidas sobre uma possível revolução no mercado de petróleo brasileiro com a entrada do gás de xisto, como ocorreu nos EUA, “embora o consumo de gás seja enorme no Brasil e industriais estejam ansiosos para usar o gás”. E, mais uma vez, a falta de infraestrutura pode ser um problema. 

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“Acho que a ANP precisa investir mais em informação para atrair mais interesse. Muito pouco gás está sendo produzido no Brasil, menos do que precisamos , mas ainda assim a 12ª rodada da ANP não foi bem sucedida”, afirmou, lembrando o leilão de gás ocorrido em novembro, em que a maior parte das áreas de gás ficaram encalhadas. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.