Petrobras sobe 3% e leva opções a subirem até 33% com aposta em reajuste

Essas altas foram impulsionadas pelas ações da empresa, cujos papéis ordinários subiram 3,21% para R$ 15,12, enquanto os preferenciais tiveram alta de 2,17%, aos R$ 16,04

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SÃO PAULO – Algumas opções da Petrobras (PETR3; PETR4) dispararam nesta quarta-feira (15), chegando a subir até 33%. Essas altas foram impulsionadas pelas ações da empresa, cujos papéis ordinários subiram 3,21% para R$ 15,12, enquanto os preferenciais tiveram alta de 2,17%, aos R$ 16,04. 

Com isso, as opções de compra PETRB16, com preço de exercício aos R$ 16,00 subiram 32,08%, aos R$ 0,70, enquanto PETRB1, com preço de exercício de R$ 17,00 sobe 33,33%, aos R$ 0,28. Isso significa que o investidor teria o direito de comprar ações preferenciais da companhia no dia 17 de fevereiro a R$ 16,00 e R$ 17,00 – lucrando se o papel estiver acima desse patamar, somado com o preço pago pelas opções. 

Há, porém, alternativas melhores. PETRB15 – com preço de exercício de R$ 15 -, por exemplo, que subiu 18,42%, está cotado a R$ 1,35 – o investidor teria lucro se PETR4 estiver cotada acima de R$ 16,35 – ao contrário dos R$ 16,70 de PETRB16. PETRB14, com exercício aos R$ 14,00, teve alta de 19,37%, para R$ 2,27, permitindo lucro acima dos R$ 16,27 enquanto PETRB13 teve ganhos 12,98%, para R$ 3,22, com lucro se a ação estiver acima de R$ 16,22. Graças ao preço da opção, porém, são apostas mais caras. 

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Existem também opções de venda – usadas para defender portfólios de grande quedas. Em dias positivos, como hoje, essas opções recuam. PETRN1, que lhe permite vender uma PETR4 aos R$ 17,00, caiu 19,40%, para R$ 1,08, enquanto PETRN16, com exercício aos R$ 16,00, recuou 23,53%, aos R$ 0,52. Quem quiser ter o direito de vender PETR4 a R$ 20,00 no dia 17 de fevereiro terá de desembolsar R$ 3,78 no momento, já que essa opção caiu 7,80% – embora não existam mais ofertas de venda.

Reajuste antes do esperado
Um dos principais pontos de disputa da gerência da Petrobras com o governo, o reajuste de preços da gasolina e do diesel pode ocorrer logo em junho, conforme apurado pelo jornal Folha de S. Paulo. O calendário, não divulgado pelo mercado, integra um dos pontos do mecanismo aprovado em dezembro pelo conselho de administração da companhia.  Contudo, de acordo com o jornal, o calendário passou a preocupar mais a cúpula do governo executivo após o reajuste de 4% para a gasolina e 8% para o diesel no mês passado. O reajuste de dezembro foi visto como um dos vilões para o aumento de inflação no ano passado, que ficou em 5,91%, acima do projetado pelo Banco Central, de 5,85%.

Deste modo, uma saída, segundo os setores de governo seria antecipar o aumento para março, de forma a diluir o impacto do reajuste sobre a campanha de Dilma Rousseff para a reeleição. Controlar a pressão inflacionária seria uma das obsessões da presidente da república no ano eleitoral. Segundo avaliações internas, a principal força eleitoral da campanha pela reeleição vem do baixo nível de desemprego e do nível de renda estável da população, uma variável que pode ser sempre impactada quando há variação de preços.

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Procurado pela Folha, o ministério da fazenda não comentou o assunto, enquanto a assessoria da estatal não quis comentar. No início de dezembro, quando foi anunciado o reajuste de combustíveis, a ação da petrolífera foi bastante penalizada, uma vez que a metodologia de precificação foi vista como pouco transparente. Isso deteriora a percepção de governança corporativa,  enfraquece a posição de uma equipe de gestão mais forte e técnica, além de ter um impacto significativo nos lucros e no valuation da companhia, conforme ressaltou o Credit Suisse em relatório.