Repercussão do balanço

Petrobras não descarta emissão de títulos no mercado; confira os detalhes da coletiva

Diretores da Petrobras comentam o balanço do primeiro trimestre em coletiva de imprensa

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SÃO PAULO – Após divulgação do resultado do primeiro trimestre, a Petrobras (PETR3; PETR4) reforçou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, que voltará a pagar dividendos aos acionistas assim que tiver resultados positivos. Hoje à noite, a companhia reportou lucro líquido de R$ 5,33 bilhões, queda de 1% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A estatal encerrou o ano passado, no entanto, com prejuízo de R$ 21,587 bilhões, contra um lucro de R$ 23,6 bilhões em 2013. Sobre possíveis ações na justiça dos minoritários em relação ao pagamento de dividendos, a companhia disse que ainda não tem conhecimento de nenhuma ação. 

O diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro, não descartou uma emissão de títulos no mercado. “A última emissão de debêntures foi feita há 15 anos, toda e qualquer alternativa de mercado, moeda, está sendo analisada pela companhia. Essa questão de acesso ao mercado interno é uma delas”, disse.

A companhia não está paralisada, destacou a diretora de exploração e produção da estatal, Solange da Silva. “O próprio resultado do trimestre demonstra isso”. A empresa reforçou que seu resultado operacional é consequência, além do melhor lucro bruto, da redução das despesas operacionais, que caíram 22% no período, enquanto comentou que a alavancagem aumentou puxada principalmente pelo câmbio, mas que está focada na redução desse índice. “A companhia está preocupada, sim, com a alavancagem, mas essa questão vai depender muito do plano de negócios. Só teremos uma definição a partir da definição do plano”, disse Monteiro.

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A diretoria da Petrobras afirmou que está trabalhando para melhorar cada vez mais os números da companhia. “Sobre o endividamento vocês terão que aguardar. Estamos próximo de revisar nosso plano de negócios e estamos com um novo conselho. Após isso vocês saberão o que esperamos. É um processo, e esperamos apresentar um resultado cada vez melhor”, afirmaram os diretores.

Os diretores, no entanto, não informaram uma data para a divulgação do plano de negócios revisado, mas afirmaram que pretendem poder conversar com o público e apresentar os números na primeira quinzena de junho. Já em relação a venda da refinaria de Okinawa, os diretores disseram que está sendo discutindo com o governo japonês a forma de operar a refinaria e que eles estão negociando com as autoridades locais.

Sobre reajuste de preços dos combustíveis, a diretoria disse que, assim como o presidente da estatal, Aldemir Bendine, já teria enfatizado, que a companhia praticará “preços competitivos e de mercado”.

Lava Jato
Em relação a possíveis novas denúncias de corrupção na Operação Lava Jato, os diretores disseram que vão continuar atentos e devem atualizar os números da empresa conforme novidades apareçam. “Quando a gente divulgou, no dia 22 de abril o resultado de 2014, falamos que o que tínhamos de informações era aquilo. Conforme novas informações chegarem, informaremos nossa área jurídica e atualizaremos nossos números”, disseram.

Já a novos contratos com as empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção, Ivan Monteiro ressaltou que a empresa não pode estender, a nenhuma empresa que consta na lista da Lava Jato, qualquer novo convite a novos negócios.

Sobre as recentes informações de que a companhia estaria buscando fazer emissões de debêntures de infraestrutura ou realizar novas captações, os diretores disseram que a companhia está observando as oportunidades e comparando com seus preços. Eles disseram que as necessidades para 2015 já estão supridas e que a companhia agora estão buscando captações para 2016. 

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Retomada da Petrobras
Questionados sobre a retomada da empresa, os diretores reforçaram que é preciso fazer uma revisão do plano de negócios, que deverá gerar novas perspectivas operacionais da companhia, além de trazer uma definição sobre a questão da alavancagem, que é um ponto de preocupação, tanto da companhia como do mercado.

“A companhia, quando essa diretoria assumiu, não tinha perspectiva de balanço auditado e não tinha não era porque não queria, mas porque a questão era muito complexa, era preciso encontrar uma metodologia para calcular os desvios gerados com corrupção. Agora, vamos fazer uma revisão do plano de negócios, para a partir daí poder dar novas perspectivas”, disse Monteiro. 

A diretoria reforçou que a companhia vem caminhando a passos largos no sentido de retomar de forma sólida sua estrutura, como já aconteceu com a divulgação do balanço, e outros que serão dados em breve, como a divulgação do plano de negócios. “Teremos, em breve, uma definição de uma companhia bem estruturada, no sentido de entregar valor aos acionistas, entendendo eles como a sociedade brasileiras”, disse a diretoria, salientando que sabem que possuem um portfólio bastante robusto e dos impactos dos seus projetos e negócios no país e sociedade brasileira. “Estamos criando os pilares para construir isso de forma bem consistente”.