Petrobras: desconfiança com plano e contrato superfaturado guiam volta do feriado

Noticiário da Petrobras foi bastante movimentado no feriado, com noticiário destacando preços superfaturados em até 1.600% do valor de mercado com a Odebrecht e desconfiança com plano de negócios

Publicidade

SÃO PAULO – Após a semana anterior já ter sido tensa após a divulgação de resultados do quarto trimestre, a Petrobras (PETR3;PETR4) também não deve enfrentar uma semana tranquila, mesmo que mais curta devido ao feriado de Carnaval. 

Na manhã da véspera, a TV Globo destacou detalhes de irregularidades em um contrato com a construtora Odebrecht, com a investigação descobrindo preços 1.600% acima do mercado. O contrato, que foi fechado em 2010, teve valor inicial de US$ 820 milhões. 

Os auditores da Petrobras analisaram a licitação, a fiscalização e as condições do contrato com a Odebrecht e encontraram preços superfaturados, com pedreiros recebendo salários de R$ 22 mil. Depois da auditoria, o contrato foi cortado para pouco mais da metade do valor. 

Continua depois da publicidade

Só na Bolívia, apontou a reportagem, os custos superaram em mais de 1.600% os valores de mercado enquanto, no Chile, os custos superaram em 600%.

Em nota enviada à Globo, a Petrobras destacou que os processos de licitação, contratação e execução de serviços são constantemente avaliados pela auditoria interna e reforçou que a renegociação se limitou à abrangência do contrato em quatro países. A renegociação dos contratos e a redução do valor frente as irregularidades foram feitas na gestão da atual presidente, Graça Foster, em junho do ano passado. 

Além disso, durante o feriado, o mercado seguiu digerindo a divulgação de resultados e o plano de negócios 2014-2018. O jornal Folha de S. Paulo destacou a preocupação dos analistas em relação ao plano de negócios da companhia, após a companhia adotar um real bem mais forte do que os especialistas e o próprio Banco Central preveem de forma a guiar os seus gastos e investimentos da petrolífera.

Continua depois da publicidade

Ao anunciar o plano de investimentos até 2018, a estatal diz que trabalha com um dólar a R$ 2,23 neste ano. Enquanto isso, os analistas consultados pelo Banco Central preveem uma cotação de R$ 2,45 e o comitê de política monetária da instituição financeira trabalha com um valor médio de R$ 2,40.

Vale ressaltar que o real mais forte é uma vantagem para Petrobras, uma vez que ela precisa fazer a importação de 300 mil barris diários para atender as necessidades do mercado, uma vez que as refinarias têm capacidade de produção inferior à demanda. O déficit financeiro da balança comercial de petróleo e derivados foi de US$ 14 bilhões em 2013, conforme destacou a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

O endividamento da companhia preocupa: a Petrobras tem de baixar em dois anos, a relação entre dívida e a geração de caixa de 3,5 vezes para 2,5 vezes, o que foi destacado pela presidente Graça Foster durante teleconferência na semana passada. Enquanto isso, a relação entre dívida e patrimônio líquido passou de 35% para 39% em 2013. Caso não consiga diminuir os indicadores de dívida, a companhia corre o risco de perder o “grau de investimento” dado pelas agências de classificação de risco, o que encarece as captações externas. 

Continua depois da publicidade

Já dentre os comunicados publicados pela companhia, destaque para a indicação de de nomes para o conselho de administração da Petrobras, que será votado em Assembleias Gerais Ordinárias e Extraordinárias no dia 2 de abril de 2014. Mauro Gentile Rodrigues da Cunha concorrerá a membro do conselho pelos acionistas ordinários minoritários e Jorge Gerdau Johannpeter, pelos preferencialistas. 



Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.