Coletiva

Petrobras cogita novos fornecedores e descarta emissão de ações nos próximos anos

Confira os destaques da coletiva da estatal sobre o Plano de Negócios de 2015 a 2019

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SÃO PAULO – Após apresentar seu Plano de Negócios para o período entre 2015 e 2019, a Petrobras (PETR3; PETR4) realiza na tarde desta segunda-feira (29) uma coletiva para dar maiores detalhes sobre o plano divulgado. Logo no início da apresentação, a equipe da estatal afirmou que não há previsão de uma emissão de novas ações no período até 2019.

O presidente da companhia, Aldemir Bendine, disse ainda que “o plano superou as expectativas em relação ao dever de casa” e que a Petrobras está confortável com a sua necessidade de financiamento para os próximos anos. Sobre a relação dos preços no exterior, o presidente ainda afirmou que a companhia não vai transferir a volatilidade dos valores internacionais para seus negócios.

O executivo destacou ainda que a companhia tem encontrado receptividade para captações no mercado e lembrou que só nos últimos três meses a companhia captou cerca de R$ 40 bilhões. “Já temos captado para garantir caixa com extrema folga”, disse. Questionado sobre a receptividade do plano no mercado, diante da queda das ações da companhia bolsa hoje, o executivo comentou que não tem como afirmar se o plano foi bem recebido ou não com base no desempenho dos papéis. “O mercado hoje teve uma volatilidade maior em função de fatores externos. Não tenho como afirmar se foi bem recebido ou não”, afirmou Bendine.

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O presidente da Petrobras disse também que a companhia poderá buscar alternativas de fornecedores no mercado externo, caso o mercado interno não tenha capacidade para atender a empresa. “Caso não tenhamos capacidade de fazer isso, por óbvio, podemos inclusive buscar alternativas no mercado externo”, disse. Segundo ele, a estatal tem buscado uma revisão do cadastro dos fornecedores. “Queremos dar um novo tratamento diante desse novo modelo de decisão de projetos, e que ele está lastreado em uma garantia de governança e compliance totalmente diferente [em relação ao plano anterior]”, completou.

Após o corte nos investimentos, Bendine, disse que, apesar de um valor menor, o novo plano de negócios traz um volume de investimentos expressivo para os próximos anos. “Apesar do valor menor, ainda tem um valor de investimentos bastante expressivo e que poderá dar um novo impulso a cadeia. O plano tem envergadura muito positiva para a cadeia produtiva de óleo e gás”, afirmou.

A estatal afirmou mais cedo que o plano tem como objetivos fundamentais a desalavancagem da Companhia e a geração de valor para os acionistas. Os investimentos totais foram reduzidos em 37% quando comparados ao plano anterior, totalizando US$ 130,3 bilhões. O montante de desinvestimentos em 2015/2016 foi revisado para US$ 15,1 bilhões (sendo 30% na Exploração e Produção, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia).

Dos investimentos da área de Exploração e Produção, 86% serão alocados para desenvolvimento da produção, 11% para exploração e 3% para suporte operacional. Serão destinados US$ 64,4 bilhões a novos sistemas de produção no Brasil, dos quais 91% no pré-sal. Na atividade de exploração no país, os investimentos estão concentrados no Programa Exploratório Mínimo de cada bloco.

No abastecimento serão investidos US$ 12,8 bilhões, sendo 69% em manutenção e infraestrutura, 11% na conclusão das obras da Refinaria Abreu e Lima, 10% na Distribuição. Os demais 10% incluem investimentos no Comperj para recepção e tratamento de gás, manutenção de equipamentos, dentre outros. Já na área de Gás e Energia tem alocados US$ 6,3 bilhões, com destaque para os gasodutos de escoamento do gás do pré-sal e suas respectivas unidades de processamento (UPGNs).

O Plano também prevê esforços em reestruturação de negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos adicionais, totalizando US$ 42,6 bilhões em 2017/2018. O plano prevê o retorno da alavancagem às seguintes metas: alavancagem líquida inferior a 40% até 2018 e a 35% até 2020, e endividamento líquido/Ebitda inferior a 3,0 vezes até 2018 e a 2,5 vezes até 2020.

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A companhia também atualizou as metas de produção de óleo, LGN (líquido de gás natural) e gás natural no Brasil, refletindo postergação de projetos de menor maturidade ou atraso na entrega das unidades de produção, principalmente em função de limitações de fornecedores no Brasil, informou a estatal.

A estatal espera ainda alcançar uma produção total de óleo e gás (Brasil e internacional) de 3,7 milhões de boed em 2020, ano no qual estimamos que o pré-sal representará mais de 50% da produção total de óleo.