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SÃO PAULO – Mesmo com parte das atenções voltadas para o adiamento do anúncio do plano de investimentos, o resultado da Petrobras (PETR3, PETR4) não deixa de ser uma grande referência da temporada de balanços, e alvo de comentários de boa parte das casas de research e corretoras.
A reação de modo geral foi positiva – tanto dos analistas quanto do mercado –, mas os números não mostraram uma tendência uniforme frente às projeções. O lucro por ação (ou por ADR), por exemplo, veio acima das expectativas do BTG, do Santander, do BB Investimentos, da Link e do Credit Suisse.
Um dos principais impactos veio do resultado financeiro da companhia, que ganhou impulso do avanço dos preços do petróleo e da desvalorização do dólar.
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“Não estimávamos o crescimento na exposição líquida da companhia à variação cambial em R$ 11,253 bilhões no primeiro trimestre, bem como o maior resultado em participação em investimentos”, escreve Nelson Rodrigues de Matos, do BB.
Apesar disso, o Credit Suisse ressalta que a alta do lucro por ação, de 4% na base anual, compara-se a um avanço de 20% dos preços do petróleo no mesmo período. Além disso, os analistas Emerson Leite e Vinícius Canheu apontam que, na base anual, apesar do lucro líquido ter subido 42%, o lucro por ação recuou 4% – fruto da diluição causada pela capitalização.
Internacional e gás e energia também agradam
O banco, contudo, reconhece o forte desempenho do segmento internacional, cujo lucro saltou de R$ 62 milhões no final de 2010 para R$ 843 milhões no primeiro trimestre, impulsionado por preços mais altos do petróleo. Andrés Kikuchi, da Link, também frisou a queda no “lifting cost”, que ajudou a fazer com que o resultado dessas operações favorecesse “significativamente o lucro líquido do período no consolidado”.
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A corretora chama atenção ainda para o segmento de gás e energia, que mostrou lucro de R$ 515 milhões, muito acima dos R$ 213 esperados. “Contribuíram para o resultado os maiores preços de comercialização de gás natural, a redução do custo de aquisição/transferência e o aumento das margens de comercialização de energia elétrica”, aponta a Link.
O Ebitda e o abastecimento
Já o Ebitda (geração operacional de caixa) “não apresentou um crescimento da mesma ordem [do lucro]”, destaca Kikuchi. O número veio 1,1% acima das projeções da Link e 7% maior do que estimava o Santander, mas 6% menor do que esperava o BTG.
O segmento de abastecimento foi o principal resultado, trazendo geração de caixa de R$ 4 milhões – muito abaixo das projeções de R$ 223 milhões da Link. “O acréscimo dos custos de aquisição e importação de derivados, em função do aumento do preço internacional, afetou diretamente o resultado do segmento”, explica a corretora.
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O segmento também foi apontado como destaque negativo pelo Credit Suisse, que apontou a queda das vendas no mercado doméstico, o repasse apenas parcial da alta das commodities para o consumidor doméstico e uma forte alta nas importações de petróleo e derivados como responsáveis pelo prejuízo de R$ 95 milhões do período.
O cenário para os negócios de abastecimento não é dos mais otimistas. “Esperamos resultados piores nos próximos trimestres, dado o cenário de preços ainda elevados para o barril do petróleo e derivados no mercado internacional em conjunto com preços estáveis, especificamente da gasolina e do diesel, no mercado interno”, disse Kikuchi, da Link.
Custos e vendas
Os custos da estatal também receberam atenção na avaliação dos resultados. O BB destaca que o custo de extração unitária subiu 10,6%, devido aos maiores gastos com intervenções em poços nos campos de Marlim Sul e Albacora Leste, além da manutenção preventiva no campo de Marlim. A Link aponta ainda o aumento de 16% dos royalties e de 22% de “participação especial” como fatores de pressão nos custos.
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O custo de refino, por sua vez, avançou 16%, descontado o efeito cambial, em função dos maiores gastos com paradas programadas em unidades de conversão (sem impacto direto na carga), com pessoal, com materiais e com serviços de terceiros.