Conselheiro diz

Pasadena é apenas uma “gota no oceano” para o que Petrobras fez aos acionistas

Mauro da Cunha, presidente da Amec e conselheiro da Petrobras, falou que o acionista tem problemas muito maiores para monitorar

SÃO PAULO – A polêmica compra da refinaria americana de Pasadena, feita pela Petrobras (PETR3, PETR4), é apenas uma “gota no oceano” considerando o que a estatal trouxe para o investidor. A opinião é de Mauro da Cunha, conselheiro da estatal e presidente da Amec (Associação de Investidores de Mercado de Capitais), que reúne 63 investidores responsáveis por mais de R$ 500 bilhões aplicados na Bovespa.

“Estamos perdendo muito tempo com o caso Pasadena. Tem as questões políticas e tal, mas Pasadena é uma gota no oceano em relação ao que está acontecendo com a gestão da companhia”, disse o conselheiro durante evento com jornalistas para falar sobre a oferta de ações da Oi (OIBR4) – Cunha foi questionado sobre o assunto durante o encontro.

A compra da refinaria localizada no Texas, envolvida numa controversa sobre os valores desembolsados pela Petrobras, motivou pedido da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

O movimento para a instalação da CPI se intensificou após Dilma Rousseff, presidente do Conselho da estatal na época do negócio, ter dito em março que o aval para a compra da refinaria foi dado com base num documento “técnica e juridicamente falho”.

Segundo nota da Presidência da República, o resumo executivo preparado pela diretoria da Área Internacional na época “omitia” informações como a cláusula “put option”, que levou a Petrobras a pagar valores muito maiores pela refinaria do que os 360 milhões de dólares desembolsados inicialmente por 50 por cento da unidade.

Ao final, a estatal pagou US$ 1,25 bilhão por Pasadena e ainda teve de fazer investimentos de US$ 685 milhões em melhorias operacionais, manutenção, paradas programadas até 2013.

Voto “contra” a Petrobras
Em março, Cunha foi voto dissidente na aprovação, pelo Conselho de Administração da Petrobras, das demonstrações financeiras do exercício social de 2013. Segundo nota da Petrobras na época, ele votou contrariamente à aprovação do balanço argumentando, entre outras coisas, que houve “falta de envio tempestivo das demonstrações para análise dos conselheiros”, além de ter considerado que houve “insuficiência de informações e aparente inadequação da contabilização dos investimentos em refinarias”.

Cunha também discordou quanto à política de “hegde accounting”, prática contábil que a Petrobras passou a adotar em meados de maio de 2013, com o objetivo de reduzir impactos provocados por variações cambiais em seus resultados periódicos.

As ações da Petrobras fecharam com forte alta de 4% nesta terça-feira, com os papéis preferenciais fechando acima de R$ 18,00 pela primeira vez desde novembro de 2013. A disparada de hoje foi justificada não só pela desvalorização do dólar – o que beneficia a importação de petróleo para atender a demanda interna – como também pela queda das intenções de voto de Dilma Rousseff no estado do Ceará, segundo pesquisa Ibope divulgada hoje.

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(Com Reuters)