Para adquirir grupo de US$ 20 bi, controladora da Ambev propõe vender operações

Departamento de Justiça dos EUA vem tentando impedir compra do grupo Modelo pela AB Inbev, alegando menor concorrência caso ela se concretize

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SÃO PAULO – Mesmo com o Departamento de Justiça norte-americano tentando impedir a compra do grupo mexicano Modelo pela a Anheuser-Busch Inbev, não parece que a controladora da Ambev (AMBV4) irá desistir tão facilmente da aquisição.

De acordo com reportagem do Financial Times desta quinta-feira (14), a AB Inbev propôs uma série de concessões de modo a convencer as autoridades reguladoras norte-americanas a aprovar a compra, estimada em cerca de US$ 20 bilhões. 

A maior fabricante de cervejas do mundo em vendas se propôs a vender uma cervejaria de alta tecnologia que detém no México, além de dispensar os seus direitos pérpetuos sobre as marcas Corona e Modelo para a Constellation Brands, uma empresa de vinhos, em resposta à ação do Departamento de Justiça dos EUA, que alegou impedir a compra por motivos antitruste. 

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“A venda da cervejaria iria garantir a independência de abastecimento para Coroa e dar a Constellation o controle total da produção das marcas Modelo para a comercialização e distribuição nos EUA”, disse a AB InBev. A companhia planeja ainda vender 50% da participação da Crown Imports, joint venture da Modelo, para a Constellation por US$ 1,85 bilhão.

Com isso, avalia a AB Inbev, a Coroa se constituirá como de propriedade da Constellation, com operações independentes e direitos em perpetuidade para as marcas do grupo Modelo distribuídas pela Coroa nos Estados Unidos. 

A gigante do mercado de cervejas também propôs vender a companhia Piedras Negras, após muita resistência em se desfazer de suas operações de engarrafamento de alta tecnologia na cidade mexicana de mesmo nome, perto da fronteira com o Texas. 

Concentração 
A autoridade afirmou que, caso a aquisição fosse concretizada, haveria uma diminuição substancial da concorrência no país em 26 áreas metropolitanas. Com isso, as consequências seriam um maior preço da cerveja e uma menor variedade dos produtos escolhidos.

A atuação do Departamento de Justiça segue o movimento realizado por cinco senadores dos Estados Unidos, que enviaram uma carta em outubro passado à autoridade alertando sobre o poder crescente da AB Inbev.

A cerveja Bud Light é a mais vendida nos EUA, enquanto a Corona Extra, da Modelo, é a mais importada. Uma junção entre as duas companhias resultaria em um controle de 46% no mercado de cervejas, que movimenta cerca de US$ 80 bilhões ao ano. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.