Pão de Açúcar e Carrefour: com riscos legais, analista vê operação ainda distante

Cade anuncia que poderá impor restrições à possível fusão; para analista acredita que fechamento ainda está distante

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SÃO PAULO – Na última quarta-feira (29) o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) anunciou que pode colocar certas barreiras à incorporação do Carrefour Brasil pelo Pão de Açúcar (PCAR4).

Segundo a Ativa Corretora, tanto o Cade poderá intervir se julgar que haverá concentração de mercado em determinadas regiões, quanto a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) poderá avaliar se é justa a proposta de troca de ações, especialmente em razão da possível diluição da fatia do Casino – atual parceiro do Pão de Açúcar. No entanto, a assessoria de imprensa da CVM informou que não irá se pronunciar sobre o assunto por enquanto.

Diluição
Frente à este cenário, a analista Julia Monteiro, acredita que o fechamento da operação ainda está distante, destacando as “incertezas ainda existentes sobre a viabilidade da operação sem a aprovação do outro sócio controlador, o Casino”.

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“Na terça-feira, os sócios controladores enviaram notas ao mercado onde se percebe claramente a quebra do acordo e da confiança”, pondera a analista, evidenciando a rusga entre a empresa de Abílio Diniz e o Casino.

Concentração de mercado
Já sobre os riscos de concorrência, Mauro Gringberg, conselheiro do Cade entre 1986 e 1990, explica que há basicamente dois pontos críticos para aprovação da fusão: o poder de compra junto à indústria e o domínio de mercado.

“O domínio de mercado deve ser analisado pelo SBDC (Sistema Brasileiro de Defesa de Concorrência) e deve necessariamente ser feito mediante análise de todos os pontos de venda para verificar em que regiões existe concorrência ou o domínio é manifesto”, explica Grinberg.