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Palmeiras e Flamengo dão baile: a “tabela do Brasileirão” das finanças dos clubes de futebol

Os clubes concentram 24% das receitas entre os 27 principais times brasileiros. Na disputa interna, o Palmeiras ultrapassou o Flamengo em receita total

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Palmeiras e Flamengo em dispura
Palmeiras e Flamengo em disputa de futebol

SÃO PAULO – As grandes contratações recentes, a consistência dos resultados em campo e a manutenção como gigantes no futebol brasileiro não são por acaso. Palmeiras e Flamengo seguem como os clubes mais organizados financeiramente do país, e isso reflete diretamente nos aspectos que compõem suas estruturas, que vão bem além das quatro linhas.

O carioca e o paulista concentram 24% de toda receita dos 27 maiores clubes do Brasil, mas as posições foram invertidas se comparadas ao ano passado: o Palestra assumiu o topo com uma receita total de R$ 654 milhões, enquanto o rubro-negro arrecadou R$ 536 milhões, como indica a “Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol de 2018”, estudo feito pelo Itaú BBA.

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Para César Grafietti, consultor do Itaú BBA e autor do relatório, o cenário futuro não parece ser diferente, já que a eficiência da gestão de Palmeiras e Flamengo são demonstradas em números.

“A tendência é esse descolamento [dos outros clubes] aumentar significantemente. Eles [Flamengo e Palmeiras] devem se destacar [financeiramente], e ao se destacarem mais, vão ter cada vez mais conquistas e mais jogos transmitidos na TV, o que deve aumentar substancialmente as receitas do clube”, disse Grafietti em coletiva de imprensa. Os direitos de TV representam 42% de toda receita do futebol brasileiro.

Atual líder do Brasileiro e time mais rico do país

O alviverde aumentou sua arrecadação em R$ 139 milhões, ou seja, houve um crescimento de 27% em relação ao ano passado, o que impulsionou os investimentos no clube.

Foram, apenas em 2018, investidos R$ 221 milhões, sendo R$ 198 milhões diretamente no elenco profissional. Fica claro que o Palmeiras atingiu um patamar econômico-financeiro muito acima dos concorrentes.

Para efeito de comparação, o clube arrecadou mais que Corinthians e Santos juntos. Os R$ 389 milhões do Timão, somados aos R$ 208 milhões do Peixe, não foram suficiente para chegar aos R$ 654 milhões arrecadados pelo Palmeiras.

Para completar a elite paulista, o São Paulo, terceiro clube que mais arrecadou em 2018, teve uma receita total de R$ 399 milhões.

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Com um nível de receitas equilibrado, o resultado de 2018 é reflexo de um trabalho de renovação de gestão e planejamento estratégico-financeiro iniciado em 2014, e que hoje traz números superlativos em todos os itens: receitas, investimentos e gastos com pessoal.

O estudo ainda diz que é injusto atribuir o sucesso financeiro apenas à Crefisa (patrocinador master do clube alviverde), pois desmerece a boa gestão do clube que soube receber um estádio renovado, modernizar suas estruturaras e trazer o torcedor para junto do time novamente.

“Reduzir todo esse sucesso do Palmeiras no últimos três, quatro anos, em termos de organização e gestão de suas finanças à ação do patrocinador (Crefisa) é acreditar em uma narrativa enviesada. É desmerecer o trabalho da gestão do clube”, diz o relatório.

Trazer o torcedor cada vez mais perto do clube é essencial: um time não cresce sem o apoio da arquibancada, e o alviverde soube muito bem fazer isso. Apenas em 2018, o Palmeiras arrecadou R$ 160 milhões com bilheteria e Sócio Torcedor, 72% acima do Flamengo, que registrou queda na arrecadação nesse setor.

Mas nem tudo são flores. Os grandes investimentos do clube foram feitos suportados pelo aumento da dívida. Mesmo gerando muito caixa, o clube fez investimentos de peso no último ano, os custos com pessoal saltaram 67% em 2018, por exemplo.

Com uma boa entrada de caixa, a situação do clube é confortável, mas isso não exclui a possibilidade de ter de vender atletas para cumprir suas obrigações financeiras nos próximos anos.

Flamengo: queda de receita e dever de casa cumprido

Ainda que as receitas totais do Flamengo tenham caído 17% em 2018, os números do clube ainda são muito bons. Uma forte geração de caixa (valor que sobra ao clube após pagar seus custos e despesas correntes) de R$ 154 milhões mostra coerência da gestão em gastar dentro das possibilidades que o time dispõe, além de poupar para as demais necessidades do clube.

Ainda de acordo com o estudo, as provisões do Rubro-Negro devem se manter estáveis nos próximos 3 anos. Os anos de austeridade, recuperação de imagem e trabalho duro mostram que o clube carioca fez o seu dever de casa. O Flamengo conquistou, com muito esforço, seu posto entre uma das potências econômico-financeiras do futebol brasileiro.

Receitas elevadas, dívidas controladas e em patamar aceitável, e uma geração de caixa robusta, colocam o clube em uma posição invejável entre os times brasileiros.

Mas mesmo com uma alta receita e um grande volume de contratações, o clube não tem conquistado títulos relevantes dentro de campo, e a torcida cobra.

Em 2018, o custo com pessoal, que inclui remuneração de atletas e funcionários do clube, do Flamengo foi inferior ao do Cruzeiro, atual campeão da Copa do Brasil e sexta maior receita do futebol brasileiro.

Cabe ao clube, então, cuidar para que ânsia em levar troféus para casa não coloque em risco o trabalho feito até aqui. Uma boa gestão fortifica a estrutura do clube, isso reflete em um time forte, e logo, em conquistas. Mas isso é um processo lento e o sucesso nem sempre acontece na primeira tentativa.

“O Futebol Brasileiro, enquanto indústria, continuará grande, mas estará cada vez mais concentrado nas mãos dos que se organizarem, Mesmo os casos de clubes que ultrapassam a barreira do razoável não se sustentam no longo prazo, porque uma hora o dinheiro acaba”, termina Grafietti.

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