“Pai” da Lei de Moore, cofundador da Intel Gordon Moore morre aos 94 anos

Em 1965, o cientista observou que o número de transistores em um chip de computador dobra a cada ano

Bloomberg

(Divulgação/Intel)

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Morreu Gordon Moore, o cofundador da Intel Corp. cuja teoria sobre o desenvolvimento de chips de computador tornou-se o parâmetro para o progresso na indústria eletrônica. Ele tinha 94 anos.

Moore morreu cercado pela família em sua casa no Havaí na sexta-feira (24), informou a Fundação Gordon e Betty Moore em um comunicado.

Fundador da Fairchild Semiconductor, pioneira da indústria, Moore cofundou em 1968 a Intel, que se tornou a certa altura a maior fabricante de semicondutores do mundo. A empresa de Santa Clara, na Califórnia, fornece cerca de 80% dos computadores pessoais do mundo com seu componente mais importante, o microprocessador. Moore foi diretor executivo de 1975 a 1987.

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A Intel e outros fabricantes de semicondutores ainda desenvolvem produtos de acordo com uma versão da Lei de Moore. Em 1965, o cientista observou que o número de transistores em um chip de computador – que determina a velocidade, a memória e a capacidade de um dispositivo eletrônico – dobra a cada ano. A lei, que Moore revisou em 1975, continua sendo um parâmetro para o progresso dentro e fora da indústria de chips, mesmo que a continuidade de sua aplicabilidade esteja sob debate.

A observação de Moore foi fundamental para a ascensão da Intel ao topo. A empresa despejou somas crescentes de dinheiro na fabricação de minúsculos componentes eletrônicos, superando seus rivais. O acelerado ritmo de progresso fez da tecnologia da Intel o coração do hardware da revolução do computador pessoal, depois da revolução da internet, até que os rivais asiáticos da empresa desafiaram sua liderança.

Executivos de empresas de tecnologia de todo o mundo prestaram homenagem a Moore.

“O mundo perdeu um gigante em Gordon Moore, que foi um dos pais fundadores do Vale do Silício e um verdadeiro visionário que ajudou a pavimentar o caminho para a revolução tecnológica”, disse o CEO da Apple Inc., Tim Cook, em via Twitter. “Todos nós que o seguimos temos uma dívida de gratidão com ele.”

Muitos levaram a morte de Moore para o lado pessoal, uma prova do mundo interconectado da tecnologia. “Sua visão inspirou muitos de nós a buscar a tecnologia, foi uma inspiração para mim”, escrevei o CEO da Alphabet Inc., Sundar Pichai, também no microblog.

“Estou muito triste com a notícia da morte de Gordon”, disse Morris Chang, fundador da fabricante de chips Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., em um comentário enviado por e-mail à Bloomberg. “Ele foi um grande e respeitado amigo por mais de sessenta anos. Com a morte de Gordon, quase todos os meus colegas de semicondutores de primeira geração se foram.”

Lei de Moore sobrevive

Hoje, a maioria dos especialistas da indústria de chips argumentaria que a Lei de Moore não é mais válida. Algumas das camadas de materiais usadas para construir semicondutores têm apenas um átomo de espessura, o que significa que não podem ser mais encolhidas.

Em geometrias tão minúsculas, as propriedades desses materiais que os tornam semicondutores se decompõem. Isso destrói sua utilidade como interruptores microscópicos usados para representar a forma mais básica de informação eletrônica.

Mas, o princípio subjacente da Lei de Moore continua a influenciar as decisões de investimento.

“A Intel será a guardiã da Lei de Moore nas próximas décadas”, disse o CEO da Intel, Pat Gelsinger, em uma entrevista em janeiro de 2022. Ele disse que a lei “está viva e vamos cumpri-la muito bem”.

Carver Mead, professor de engenharia do Instituto de Tecnologia da Califórnia, criou o nome Lei de Moore. O próprio Moore expressou surpresa com sua influência e longevidade e preferiu minimizá-la.

“Eu queria transmitir que era uma ideia de que a tecnologia vai evoluir rapidamente e terá um grande impacto no custo da eletrônica”, lembrou Moore em um vídeo produzido pela Chemical Heritage Foundation. “Esse era o ponto principal que eu estava tentando transmitir, que esse seria o caminho para a eletrônica de baixo custo.”

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