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SÃO PAULO – Que 2010 foi um ano extremamente negativo para a Petrobras (PETR3, PETR4), você investidor já está cansado de saber. Depois um processo de capitalização arrastado e cheio de questões divergentes, os papéis PETR4, que abriram o ano valendo mais de R$ 36, caíram para R$ 27 ao final da oferta de ações, estendendo as perdas para a faixa dos R$ 24 nas semanas seguintes – ou seja, em 2010, a ação chegou a marcar perda de um terço do valor de mercado.
Contudo, à medida que esse conturbado momento foi ficando cada vez mais no passado, as ações da petrolífera têm ensaiado um movimento de recuperação. Em dezembro, os papéis ON e PN registraram valorização de 12,41% e 11,85%, bem acima da alta de 2,36% do Ibovespa no período. Já em janeiro, embora tenham recuado, as ações superaram o desempenho do índice que serve de termômetro da bolsa brasileira.
| Ibovespa X Petrobras pós-capitalização | |||
| Período | Ibovespa | PETR3 | PETR4 |
| Out/10 | +1,79% | -6,09% | -5,28% |
| Nov/10 | -4,19% | -3,67% | -4,37% |
| Dez/10 | +2,36% | +12,41% | +11,85% |
| Jan/11 | -3,94% | -1,64% | -0,73% |
| Fev/11 (até o dia 16) | +1,50% | +2,86% | +0,81% |
| Acum. no Período | -2,67% | +2,90 | +1,37% |
A boa fase tem por trás uma melhora de percepção em relação à empresa, após a onda de cortes de recomendações vista em outubro passado. É o caso do Santander, que espera que o recente fluxo de notícias positivas continue impulsionando os papéis da Petrobras no curto prazo. “Desde outubro de 2010, PETR4 e PETR3 têm performado o Ibovespa, e [elas] provavelmente manterão essa performance acima do índice”, escreveram os analistas Christian Audi e Vicente Falanga Neto em relatório elaborado em 8 de fevereiro.
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A dupla do banco espanhol ressalta que desde o fim da capitalização da Petrobras em 2010, aproximadamente 50 comunicados ao mercado foram divulgados pela empresa, com a maioria deles trazendo boas notícias referentes a produtividade, descobertas de poços – principalmente na Bacia de Santos – ou outros avanços operacionais.
Audi e Neto também destacam a correlação do desempenho das ações da empresa com os preços do petróleo, algo que, embora tenha perdido significância em 2010, tem tido maior peso nos papéis da Petrobras. Segundo os dois analistas, a tensão geopolítica envolvendo o Egito e as mudanças anunciadas pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para evitar distorções entre a demanda e a oferta da commodity deverão colaborar para o movimento ascendente das cotações no mercado internacional.
Petrobras X Ibovespa entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011
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Apoio estrangeiro
No último dia 14, a dupla do Santander elaborou um novo relatório reforçando seu viés otimista sobre as ações da empresa no curto prazo, por acreditar que a “história” vista na primeira metade de 2009 se repita nesse começo de 2011. Na ocasião, os papéis da petrolífera acumularam fortes ganhos, puxados pelo otimismo dos investidores internacionais em relação à empresa, que acabou ofuscando a postura bearish dos investidores brasileiros.
“Quando isso aconteceu, as ações da Petrobras tiveram uma performance melhor que o Ibovespa, guiadas pelo forte montante aplicado pelos estrangeiros”, explicam Audi e Neto. “Acreditamos que esse cenário esteja se repetindo, justificando nosso call otimista”, complementa a dupla, mostrando ainda que em 2010 os ADRs (American Depositary Receipts) responderam por 66% do volume médio diário de negócios realizados com ativos da petrolífera negociados nas bolsas de valores.
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Valuation barato compensa riscos, diz Barclays
Quem também revisou para cima suas projeções acerca da Petrobras foi o Barclays Capital. Os preços-alvo para os ADRs representativos das ações PN e ON foram elevados para US$ 39 e US$ 40, respectivamente. Já a recomendação, que antes era de equal-weight (expectativa de desempenho em linha com o setor, dentro do universo de cobertura do banco, num horizonte de 12 meses), passou a ser de overweight (expectativa de desempenho acima do setor).
Segundo os analistas Paul Cheng, Christina Cheng e Danielle Diamond, que assinam o relatório do banco inglês, o valuation da companhia brasileira barato em relação aos seus concorrentes internacionais mais do que compensa as incertezas sobre a interferência do governo brasileiro nas decisões de investimentos e também a ameaça da pressão inflacionária no País. Os cálculos do trio de analistas apontam que a Petro está sendo negociada com desconto de 20% frente aos seus pares no continente americano.
A equipe do Barclays demonstra preferência pelos ADRs representativos das ações preferenciais (PBR.A) do que pelos que representam as ações ordinárias (PBR), alegando que não há motivos que justifiquem o prêmio atual do PBR em relação ao PBR.A.
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Otimismo que vem dos especialistas…
Outras casas de research já haviam melhorado a percepção sobre a Petrobras. No final de janeiro, a equipe da Coinvalores se reuniu com o gerente de Relações com Investidores da petrolífera, Hélder Leite, e com a coordenadora de RI da empresa, Rafaela Monteiro, ficando bastante otimista em relação à produção da companhia em 2011 e com a exploração na região do pré-sal. Por conta disso, eles recomendam a compra das ações.
Já o Citigroup reforçou sua perspectiva positiva para a Petrobras após a divulgação das reservas provadas em 2010, realizada em 14 de janeiro. O analista Pedro Medeiros, que assinou o relatório do banco, disse que segue “comprador” das ações da empresa em qualquer momento de baixa nos preços, já que a maior parte das reservas do pré-sal ainda deverá ser incorporada aos registros da companhia.
O HSBC também reafirmou o otimismo em relação ao futuro da Petrobras e manteve a recomendação overweight para as ações da empresa em relatório divulgado no dia 26 do mês passado. No entanto, a analista Anisa Redman reduziu de R$ 48 para R$ 42 o preço-alvo estimado para os papéis PETR3, tendo em vista a forte desvalorização acumulada em 2010. O target do ADR também foi revisado para baixo, passando de US$ 55 para US$ 50.
…e dos investidores
Não são apenas as equipes de análise que enxergam um futuro próspero para a Petrobras. Enquete realizada pelo Portal InfoMoney no final de janeiro mostrou que 34,65% dos votantes – o que equivale a 1.664 pessoas – acreditam que a ação PETR4 terá o melhor desempenho dentre as blue chips da bolsa brasileira em 2011, ocupando a primeira posição na pesquisa, com 352 votos a mais que o papel PNA da Vale (VALE5), segundo colocado.
