Os detalhes e as dúvidas que ainda restam sobre o acordo da MMX

Companhia agora enfrentará novos desafios, e, apesar de não ter mais dívidas, deixou de fora algumas explicações que prejudicam a precificação de seus ativos pelos analistas
Igarape, 05 de novembro de 2011Imagens aereas das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro
Igarape, 05 de novembro de 2011Imagens aereas das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro

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SÃO PAULO – Na última sexta-feira (13), a MMX Mineração (MMXM3) realizou uma teleconferência para dar maiores detalhes sobre a transação anunciada no dia 10 de setembro com a Trafigura e o fundo Mudabala. No negócio, os compradores irão aportar US$ 400 milhões para obter 65% do Porto Sudeste. Apesar de muitas respostas, o encontro também deixou algumas dúvidas nos analistas.

Além do aporte, Trafigura e Mudabala irão assumir todas as dívidas da MMX Sudeste Mineração, que chega em R$2,7 bilhões, ficando também responsável pelos compromissos do título MMXM11. Para os analistas Juliana Chu e Ricardo Schweitzer, da Votorantim Corretora, com esse cenário, agora a MMX deve ser analisada somente com base em suas operações em Serra Azul.

Thiago Lofiego e Karel Luketic, do Bank of America Merrill Lynch, destacam alguns pontos da teleconferência que chamaram atenção. Entre diversas explicações dadas pela companhia, a dupla afirma que com a transferência da dívida para o Porto Sudeste, a nova MMX estará livre de qualquer dívida. Além disso, os volumes de 7 milhões de toneladas serão sustentáveis até 2023 sem que ocorra nenhum investimento significativo.

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Eles destacam também o fato de que esta operação não está sujeita à aprovação dos acionistas minoritários e que as obrigações de fornecedores para a expansão da mina permanecem com a mina, mas os valores não foram informados. Por fim, a MMX ainda ressaltou que todo o comércio de ferro será feito pela Trafigura.

Dúvidas ainda restam
Por outro lado, os analistas do BofA afirmam que alguns pontos não foram detalhados e prejudicam para uma precificação dos ativos. Em primeiro lugar, a MMX não informou qual foi a tarifa acordada com o Porto e não anunciaram quando o porto poderá entrar em operação, mas afirmaram que o primeiro semestre de 2014 é um período viável.

Assim como destacado anteriormente, eles lembram que não foram informados os valores em relação às responsabilidades dos fornecedores para a expansão da mina. Por fim, a dupla ressalta que não foram explicados quais seriam os fatores que poderiam cancelar o negócio e que não ficou clara qual será a nova estrutura acionária da companhia.

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Enquanto isso, a equipe da Votorantim destaca que este é um cenário de novos desafios para a MMX, que passa agora a focar seus esforços na expansão de sua capacidade de mineração, tendo em vista que o conteúdo friável de minério de ferro atual nas suas minas deve ser suficiente até 2018 ou 2019.

Passado este período, Chu e Schweitzer as afirmam que as opções da companhia passam a ser a exploração de áreas adjacentes, tais como Pau de Vinho, ou a realização de investimentos adicionais na sua estrutura de produção para adaptá-la ao minério de ferro compacto. Porém, em ambos os casos, eles entendem que teria que haver um novo parceiro, mas que isso não deve ocorrer no curto prazo.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.