Entrevista

Operações no Brasil têm melhora significativa, diz presidente da Romi

Apesar de prejuízo nos três pirmeiros meses do ano, operações no Brasil mostram boa recuperação da margem Ebitda

Por  Fernando Ladeira

SÃO PAULO – Para quem observa à primeira vista o resultado do primeiro trimestre da Indústrias Romi (ROMI3) pode parecer ruim. O período foi marcado por um prejuízo de R$ 7,9 milhões, e o mercado responde com uma queda de quase 7% no valor das ações nos minutos iniciais no pregão desta quarta-feira (24). Mas, para o diretor-presidente da empresa, Livaldo Aguiar dos Santos, deve-se destacar que “os números no Brasil apresentam melhora significativa”.

Em entrevista ao portal InfoMoney, o executivo lembra que a margem Ebitda nas operações no Brasil, isso é, o quanto da receita líquida é convertida em Ebitda (Lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações), foi de 2,3% nos três primeiros meses do ano, enquanto durante boa parte do ano passado o indicador se mostrava no negativo. “Nossa visão de recuperação é real e verdadeira”, destaca.

De um modo geral, o diretor-presidente diz estar conservadoramente otimista com o ano. Sem visualizar grande crescimento, ele vê um contínuo processo de recuperação, que se dará de modo gradual, trimestre por trimestre. Mesmo assim, a empresa ainda está longe dos níveis de lucratividade que tinha em 2007 e 2008, antes de estourar a crise financeira internacional.

Quanto a um possível ciclo de alta nas taxas de juros, já que na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) o Banco Central elevou a taxa Selic de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano, Fábio Taiar, diretor de relações com investidores, lembra que esse movimento não preocupa, ao menos no que diz respeito aos financiamentos.

Isso porque a empresa utiliza o PSI, programa de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Esse programa traz taxas pré-fixadas, sendo que no primeiro semestre a taxa será de 3,0% ao ano e, na segunda metade, de 3,5% ao ano. Dessa forma, os investimentos da Indústrias Romi nesse ano serão “substancialmente maiores” que no ano passado.

Romi no exterior
Os números da empresa poderiam ter sido melhores não fossem as operações na Alemanha. Fábio Taiar diz que o resultado dela foi pressionado por uma sazonalidade não-definida. Pela Burkhardt + Weber ser uma fabricante de máquinas e equipamentos pesados, com entregas de longo prazo, ela não possui um efeito sazonal bem definido, mas os números desse começo de ano não vieram tão fortes.

Apesar disso, os diretores demonstram otimismo com a operação. Segundo eles, a B+W, que deu um prejuízo de R$ 1,85 milhão nos três primeiros meses, continua entregando bons resultados no longo prazo. Eles destacam que a carteira de pedidos continua bastante sólida e as entregas ocorrerão ao longo do ano, principalmente no segundo semestre.

Entre as operações internacionais, a empresa ainda anunciou na véspera o fechamento de sua unidade na Itália, o que deverá trazer um impacto positivo nos resultados, diz à InfoMoney o diretor-presidente. Isso porque desde 2010 ela já representa um prejuízo operacional de R$ 49,4 milhões. “O que temos carregado é um volume de custos não compatíveis com o faturamento”, afirma.

O plano inicial da Indústrias Romi consistia apenas em fechar a operação manufatureira e permanecer com as áreas de serviços e vendas, mas esse plano nunca chegou a entrar efetivamente em funcionamento, por questões que envolvem a própria empresa na Itália, como acordos com sindicatos. O processo de liquidação deve durar aproximadamente um ano.

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