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SÃO PAULO – Opções de compra da Petrobras (PETR3; PETR4) que subiram mais de 400% viraram “‘pó” a poucos dias do vencimento. Isso porque o preço de exercício dessas opções, referentes aos papéis preferenciais da estatal, estão bem acima da cotação atual da ação, que negocia nesta sexta-feira (16) próxima a R$ 18. Entre as “calls” (opções de compra) com mais liquidez, a que possui o menor preço de exercício é PETRE20, de R$ 19,16. Na próxima segunda-feira ocorre o vencimento de opções sobre ações na BM&FBovespa, ou seja, o dia em que o contrato das opções perde seu valor de mercado.
Do início de maio, quando essas opções começaram a registrar um volume mais intenso, até o dia 7, a valorização foi de 645%, seguindo o disparada das ações da Petrobras na Bolsa, em meio a notícias de que Dilma Rousseff estaria perdendo espaço nas pesquisas eleitorais. No dia 3 de maio, o instituto Sensus realizou uma pesquisa de intenção de votos. Foi o primeiro levantamento que apontou segundo turno nas eleições presidenciais de 2014. Assim, se a eleição fosse realizada naquela data, a presidência seria disputada num segunda etapa entre Dilma e o tucano Aécio Neves.
Ou seja, se as ações da Petrobras subiram mais de 10% naquele período, era normal que as opções mostrassem um comportamento ainda mais agressivo, já que possuem um valor de face bem menor do que as ações – um centavo a mais nas opções é muito mais representativo do que nas ações. Para se ter uma ideia, no início do rali, as opções PETRE20 valiam R$ 0,05, enquanto as ações PNs da Petrobras eram cotadas a R$ 16,55.
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Um pouco mais “fora do dinheiro”, as opções PETRE21 e PETRE22 – completando o time das calls mais liquidas com vencimento este mês e referentes as ações PETR4 – oscilaram 542% e 397% no mesmo período mas também viraram “pó”. O preço de exercício delas é de R$ 20,16 e R$ 21,16. Atualmente, todas são cotadas a R$ 0,01.
O que é uma opção?
Quando um investidor compra uma opção, ele está comprando o direito de comprar (call) ou vender (put) uma determinada ação a um preço já definido (preço de exercício, ou “strike”) até um vencimento já estabelecido. Sendo assim, esses “direitos” oscilam de preço à medida que eles começam a se mostrar vantajosos ou não em relação ao preço da ação.
Para ficar mais claro, tomamos como exemplo a call PETRE20: como ela me dá o direito de comprar uma Petrobras a R$ 19,16 até 19 de maio, esse direito vai valer cada vez mais à medida que os papéis da Petrobras foram ficando cada vez acima de R$ 19,00. Entretanto, é preciso ter em mente – como no caso citado acima – que o risco de perdas para quem investe em opções é de 100%, já que se uma call tiver o preço de exercício maior que a cotação atual da ação até o dia do vencimento, essa opção fatalmente irá “virar pó” – expressão utilizada no mercado de opções para o contrato que perdeu valor.
Além da distância entre o “strike” e a cotação da ação na Bovespa, o preço de uma opção também considera mais dois quesitos importantes: tempo e volatilidade. Quanto maior o tempo de distância para o vencimento da opção, maiores as chances de em algum momento o contrato estar “dentro do dinheiro” – isto é, quando vale a pena exercer a opção; da mesma forma, quanto mais volátil é o comportamento da ação na Bovespa, maior é a possibilidade de que a opção fique dentro do dinheiro em determinado momento.