Oi dispara após anúncio de fusão com PT; analistas destacam redução de alavancagem

Analistas veem fusão como positiva para a companhia, mas destacam overhang no curto prazo

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SÃO PAULO – Após ficar em leilão durante 25 minutos, as ações da Oi (OIBR3OIBR4) abriram com fortes ganhos na sessão desta quarta-feira, depois do anúncio de fusão com a Portugal Telecom na madrugada desta data. Os ativos ON registram ganhos de 6,26%, a R$ 4,75, enquanto os papéis preferenciais tem alta ainda mais forte, de 9,24%, a R$ 4,61, às 10h58 (horário de Brasília), após chegarem a subir 9,40% e 11,14% respectivamente, na cotação máxima do dia. Enquanto isso, as ações da Portugal Telecom sobem 7,17%, a € 3,64 na bolsa de Lisboa, após subirem mais de 14% mais cedo. 

A Portugal Telecom e a Oi anunciaram uma megafusão através da criação da CorpCo, que será resultado da combinação dos negócios da Oi no Brasil e da Portugal Telecom em Portugal e na África.

As empresas estimam sinergias operacionais e financeiras de aproximadamente R$ 5,5 bilhões de reais. O fato da Oi precisar de caixa e a disputa acionária entre os controladores e a Portugal Telecom tornaram essa operação já esperada por parte do mercado. O aumento de capital da companhia brasileira será no valor mínimo de R$ 13,1 bilhões, podendo atingir R$ 14,1 bilhões. 

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Os papéis da TIM Participações (TIMP3) também seguem em alta, de 1,21%, a R$ 10,83; de acordo com o JPMorgan, os investidores poderão analisar a fusão entre a Oi e a Portugal Telecom como uma medida preventiva no caso da TIM Brasil ser repartida. Para o JP, se a empresa CorpCop, fruto da fusão, compre hipoteticamente um terço da TIM com um prêmio de 50% das sinergias o negócio ainda se justificaria. Esse negócio, lembram os analistas, precisaria passar pela aprovação de órgãos reguladores. 

Conforme destacam os analistas do Itaú BBA, o aumento de capital e a migração para o novo mercado está em linha com o que a instituição tem conversado com os investidores entre abril e maio e não surpreende. O Itaú BBA, por outro lado, recomenda que os investidores que estão vendidos nos papéis da companhia reduzam sua exposição. Isso porque a conclusão da operação pode representar um ponto de virada, uma vez que a empresa resolverá seus problemas de alta alavancagem e pode melhorar suas operações. 

Já o Citi atribui a alta dos papéis pelo fato de que a companhia será menos alavancada e se tornará uma corporação listada em novo mercado; o Credit Suisse também ressalta que estes dois fatores são positivos para a Oi.

Contudo, os analistas do Credit não se mostraram seguros quanto às sinergias afirmadas pelas companhias através da fusão, no valor de R$ 5,5 bilhões. Se confirmados, as ações podem ter um potencial de valorização de 20%, sendo um grande gatilho para a performance do papel. Por outro lado, o aumento de capital no valor de R$ 8 bilhões previsto na operação – sendo R$ 2 bilhões já garantidos – pode gerar um overhang nas ações no curto prazo.

A operação
A Oi e Portugal Telecom estimam sinergias operacionais e financeiras de aproximadamente R$ 5,5 bilhões de reais. O fato da Oi precisar de caixa e a disputa acionária entre os controladores e a Portugal Telecom tornaram essa operação já esperada por parte do mercado. O aumento de capital da companhia brasileira será no valor mínimo de R$ 13,1 bilhões, podendo atingir R$ 14,1 bilhões. 

A Portugal Telecom entra com ativos da África e Portugal, totalizando R$ 6 bilhões e o restante, entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões virá em dinheiro, uma vez que a Oi precisa de caixa e também via aumento de capital. Já os atuais acionistas da TelPart e um veículo de investimento administrado e gerido pelo BTG Pactual, participarão da oferta mediaante colocação de ordem de subscrição de cerca de R$ 2 bilhões. 

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Vale ressaltar que, atualmente, o market cap da Oi é de R$ 7 bilhões. Desta forma, como aponta a XP Investimentos, caso o minoritário não acompanhe a oferta, terá seu percentual reduzido à metade de participação após operação. Com isso, a oferta nesse cenário de mercado, mesmo com R$ 2 bilhões já garantidos, deverá pressionar os ativos no curto prazo. O JP Morgan também segue cauteloso com a operação; em destaque está a baixa visibilidade sobre as potenciais sinergias, além de também verem um overhang pelo aumento de capital. 

Frente à relação de troca, cada ação da PT se tornara uma nova ação ordinária da CorpCo, mesma relação entre as ordinárias da Oi. Cada 1,0857 ação preferencial, listada sob o código OIBR4 da Oi será substituída por 1 ação ordinária da nova companhia. As relações foram estabelecidas com parâmetro nas cotações de mercado da Oi no período de 30 dias anteriores ao anúncio. A CorpCo será listada nas bolsas de São Paulo – onde participará do Novo Mercado -, Nova York e Lisboa e não terá nenhum grupo controlador.

Operação de fusão deve ocorrer entre 150 e 180 dias
Em entrevista à imprensa, Zeinal Bava, presidente da Oi e que será o CEO (Chief Executive Officer) da companhia resultante da fusão, disse que a operação de união entre a PT e a empresa brasileira deve ocorrer entre 150 a 180 dias. Ele espera que a operação aconteça até o segundo semestre de 2014. 

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Bava ressaltou ainda que a empresa vai reajustar os seus investimentos em Portugal, destacando, contudo, que a maior parte dos ajustes já foi feita. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.