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SÃO PAULO – Se a B2W (BTOW3) tivesse que escolher uma frase para resumir seus últimos 2 anos na Bovespa, uma boa escolha seria “o mundo dá voltas”. Após amargar por tanto tempo o status de “pedra no sapato” da sua tão competente e bem gerida controladora Lojas Americanas (LAME4), o braço de varejo online do grupo vem mostrando cada vez mais que suas deficiências operacionais fazem parte do passado. Beneficiada ainda por uma enxurrada de boas notícias, a companhia vem batendo recordes positivos na Bolsa.
Com alta de 32% nos últimos pregões, a B2W viu suas ações subirem 8,59% na última quinta-feira (5), dia que foi aprovada sua capitalização bilionária via subscrição, levando suas ações a fecharem valendo R$ 34,25 – patamar que ela não alcançava desde 13 de dezembro de 2010. Com isso, a companhia conseguiu alcançar o posto de única ação com liquidez a subir mais de 100% na Bolsa em 2014, nada mal para um ano em que o Ibovespa (principal índice de ações da Bovespa) subiu apenas 0,10% até o último dia 5 de junho.
A valorização é ainda mais expressiva se estendermos o período de comparação para julho de 2013, quando os papéis BTOW3 chegaram a valer R$ 6,19 – de lá pra cá, a alta chega a 452%. Mas o que há por trás dessa arrancada espetacular da empresa na Bolsa? Para encurtar um período tão longo de tempo, apresentaremos os três principais fatores que explicam esse rali.
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1º: melhora nos resultados
O primeiro fator está ligado diretamente ao resultado da B2W. Na segunda metade de 2013, ela começou a recuperar valor de mercado à medida que apresentava melhorias em seu resultado operacional a cada trimestre. No passado, a empresa sofreu muito com problemas de logística, o que encarecia muito sua operação e resultava em margens absurdamente baixas. Somando isso ao alto endividamento, o resultado final era prejuízo atrás de prejuízo em seus balanços.
Embora não tenha escapado do resultado negativo no 1º trimestre de 2014 – a B2W fechou o período com prejuízo líquido de R$ 57,6 milhões -, os analistas foram surpreendidos pelo resultado operacional: a receita líquida cresceu mais de 30% ante o mesmo período de 2013, enquanto o capital de giro melhorou em 45 dias; as despesas com vendas, gerais e administrativas caíram quase 1 ponto percentual do faturamento, enquanto o Ebitda (lucro antes dos juros impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) saltou 47%, para R$ 109,2 milhões.
2º: os bilhões da Tiger e os rumores de Soros
Como toda boa receita de sucesso, uma boa pitada de “sorte” é sempre bem vinda. E podemos dizer que as novidades envolvendo a B2W começaram a ser predominantemente positivas ao mesmo tempo em que seus resultados melhoraram.
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Uma destas novidades foi a notícia de janeiro informando que a Tiger Global Management – fundo de investimentos focado em tecnologia – injetaria, em conjunto com a Lojas Americanas, R$ 2,38 bilhões na varejista online. A injeção seria feita mediante subscrição privada de ações, na qual o fundo estaria disposto a pagar R$ 25 por cada papel BTOW3, mais de 60% acima dos R$ 15,50 que ele valia no dia do anúncio, o que naturalmente provocou uma forte alta durante o pregão da Bovespa – no dia seguinte ao anúncio, os papéis subiram 40%, o equivalente a um ganho de R$ 1 bilhão em valor de mercado.
Embora anunciado em janeiro, o aumento de capital só foi aprovado na última quinta-feira pelos acionistas. Por conta dessa subscrição, as ações da B2W abriram com um “ajuste” nesta sexta-feira (6), como forma de incorporar a nova quantidade de ações ao valor de mercado atual. A estimativa é que o papel sofra um ajuste dos atuais R$ 34,25 para R$ 30,78 nesta sessão.
Vale lembrar ainda que em abril a B2W foi colocado como uma das preferências para ninguém menos que George Soros, um dos maiores investidores da história. Segundo informações do blog da Veja Online, um analista ligado ao megainvestidor visitou a B2W e alguns concorrentes em março. Embora nada tenha sido confirmado, nada mais confortante para um investidor brasileiro do que saber que um dos maiores “players” do mercado está de olho em uma ação que está ao seu alcance.
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3º: “surpresa” no MSCI
Por último, mas não menos importante, está a inclusão “surpresa” da B2W no MSCI Brasil, anunciada no final de maio e concluída no último dia 4. Com a entrada da ação no índice, muitos fundos que têm como objetivo acompanhar ou superar o MSCI Brasil tiveram que encarteirar a varejista online para que o portfólio ficasse em linha com o movimento do benchmark. Com um salto inesperado na demanda sem que a oferta seguisse o mesmo ritmo, o preço das ações não tinha outra direção que não fosse subir.
Segundo cálculos feitos pela equipe do Credit Suisse, a expectativa é que a inclusão da B2W no índice leve a uma entrada de US$ 60 milhões de fundos passivos.