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SÃO PAULO – O mercado aguarda com apreensão a divulgação do resultado do terceiro trimestre da Petrobras (PETR3; PETR4), que deve sair após o fechamento do mercado. Não para menos, as ações da estatal mostram forte oscilação hoje. Depois de operaram toda a manhã no negativo, os papéis viraram para alta e chegaram a subir mais de 4%, mas amenizaram nos minutos finais. As ações ordinárias registraram alta de 1,05%, a R$ 9,64, enquanto as preferenciais avançaram 2,62%, a R$ 10,17.
Na tentativa de levantar os principais pontos que os investidores devem se ater hoje quando a Petrobras reportar seu resultado, o InfoMoney compilou as questões que o mercado têm apontado como essenciais e que precisariam ser respondidas em seu balanço. Confira abaixo:
1°) Baixa contábil
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Especialistas especulam que a baixa contábil, ou impairment, deve ficar entre US$ 10 e US$ 20 bilhões (o equivalente a R$ 52 bilhões, na banda superior). Atualmente, a Petrobras vale R$ 129,2 bilhões no mercado, o que significa que o montante representaria 40% do valor da companhia em Bolsa.
A baixa contábil deve acontecer pois será preciso que a empresa reconheça em seu balanço uma desvalorização dos ativos que ela possui em seu balanço, seja ela por superfaturamento em contratos, desvios, estouros legítimos em seus orçamentos, entre outros. Um caso é a refinaria Abreu e Lima, por exemplo, a mais cara em curso no Brasil e que deve chegar aos US$ 18,5 bilhões, contra custo inicial estimado de US$ 2,4 bilhões.
Para analistas, quanto maior vier esse montante da baixa contábil, melhor. Isto é, se a baixa vier realmente no teto da banda, a expectativa é que o mercado interprete isso de forma positiva, já que dará mais credibilidade à empresa, avalia o analista Flávio Conde. Este é o primeiro passo para reconquistar a credibilidade perdida, enquanto as acusações de má gestão e superfaturamento de contratos provocaram a desaparição de US$ 68 bilhões em valor de mercado desde 1º de setembro.
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2°) Possível redução no plano de investimentos
Outro ponto importante que a empresa pode mostrar é uma possível redução em seu plano de investimentos. A Petrobras já disse que está revisando seu planejamento de investimentos para 2015, com a implementação de uma série de ações voltadas para a preservação de caixa, mas ainda assim é importante ver de quanto será esse corte – o que viabilizaria ainda seus investimentos sem a necessidade de efetuar novas captações, o que seria estremamente doloroso para a companhia neste momento.
3°) E o balanço auditado?
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Além desses números, o mercado quer saber também quando virá o balanço auditado, que até o momento não tem data para sair. A própria Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras, admitiu a dificuldade em tornar público os números oficiais, já que, a cada denúncia de desvio de recursos, a realidade financeira da companhia é alterada.
Mas não perca de vista uma questão crucial… e se o resultado não vier realmente hoje?
A Petrobras tem até 31 de janeiro para divulgar os lucros para evitar a violação dos termos de parte de sua dívida. Novos atrasos podem levar os credores que possuem parte dos US$ 54 bilhões em bonds em circulação – maior total emitido por uma corporação em todo o mundo – a exigirem seu dinheiro de volta.
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“O mercado já não tem uma ideia clara da situação financeira da Petrobras por causa da falta de divulgações de balanço”, disse Edmar Almeida, especialista em energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Nós não sabemos nem mesmo os números de investimento de 2014 — se a Petrobras gastou pouco ou muito”.
Isso fez com que a perspectiva para a Petrobras se deteriorasse. Os analistas não ficavam tão negativos em relação às ações da empresa desde que elas começaram a ser negociadas nos EUA, em 2000. A Moody’s Investors Service disse no fim de dezembro que poderá reduzir o rating de crédito da Petrobras, hoje em Baa2, segundo grau de investimento mais baixo, devido ao temor em relação à capacidade da empresa de levantar dinheiro em meio ao atraso na divulgação dos lucros.