O que há por trás da disparada de 90% da tão polêmica HRT na Bovespa?

Entre assembleias acaloradas e meta de redução de custos, petrolífera tenta apagar as fortes perdas desde seu IPO em 2010; porém, há mais dúvidas do que certezas para o seu futuro

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SÃO PAULO – Enquanto a HRT Participações em Petróleo (HRTP3) está envolvida em grandes polêmicas e disputa entre os grandes acionistas e os minoritários, as ações da companhia estão tendo maior calmaria nos últimos dois meses. Do dia 29 de abril até o fechamento do último dia 30 de junho, as ações já subiram 88,89%, passando de R$ 0,63 para R$ 1,19, apesar de iniciarem o segundo semestre do ano em queda.

No radar da companhia, as assembleias que levam em conta mudanças administrativas e não operacionais seguem sendo os destaques. No dia 24 de junho, além do grupamento das ações de 10 para 1 dos ativos da HRT Participações em Petróleo (HRTP3), a assembleia apontou para uma mudança importante com a queda da cláusula da pílula de veneno ou “poison pill”, mecanismo que obriga ao detentor de mais de 20% da companhia a fazer uma oferta pública de ações. 

Vale ressaltar que, em 2013, este assunto estava em pauta para ser tratado em assembleia de janeiro de 2014, mas saiu da pauta com o aumento das disputas entre a Discovery Capital e a JG Petrochem, os dois maiores grupos de acionistas que existiam até então. A Discovery tinha à época 17,7% da fatia da companhia, enquanto a JG Petrochem tinha 19,5% de participação. Com essa participação, a JG estaria impedida de adquirir ainda mais participação. 

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A “poison pill” causou polêmica, em meio à disputa entre a JG e a Discovery, uma vez que a primeira companhia alegou que o fundo americano havia ultrapassado a participação acionária de 20% e teria que fazer a OPA (Oferta Pública de Aquisição). Porém, a disputa cessou e, em meados de abril, a Discovery realizou a venda de quase a totalidade de sua participação acionária, deixando a JG como a principal acionista. 

Enquanto isso, os minoritários seguem de olho na companhia. Em entrevista ao InfoMoney,  o investidor “ativista” Renzo Bernardi criticou a nova deliberação de grupamento das ações de 10 para 1 após a de razão 30 para 1 ter sido rejeitada, em ação que se iniciou tendo como argumento de que seria uma “sugestão de um acionista” – algo que, sendo Bernardi, não foi previamente dado amplo conhecimento aos outros acionistas da HRT.

Além do grupamento e a retirada da “poison pill”, foram aprovadas a mudança de endereço para instalações mais econômicas e o aumento de capital tendo em vista o exercício de opções e de bônus de subscrição. 

E o petróleo, como fica?
Nestes dois meses, as disputas dentro do corpo acionário da HRT parecem ter ganhado destaque mas, nem por isso, o noticiário sobre as operações da companhia não tiveram a sua importância no rali da empresa. 

Até o início de maio, os ativos da HRT somavam perdas de mais de 80%, mas voltaram a renascer em meio aos rumores de que iria comprar 40% da participação no campo de Polvo na Maersk, algo não se concretizou. Porém, a alta continuou. 

Um dia após a divulgação do primeiro trimestre de 2014, dia 15 de maio, as ações da companhia fecharam com ganhos de 11,27%.  A petroleira encerrou o primeiro trimestre deste ano com um lucro líquido de R$ 1,7 milhão, revertendo um prejuízo de R$ 99,2 milhões registrado um ano antes, informou a empresa na noite de quarta-feira, em seu primeiro resultado operacional. O Ebitda totalizou R$ 35,8 milhões entre janeiro e março, também revertendo um resultado negativo em R$ 97,6 milhões um ano antes, o que animou o mercado.

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Na época dos resultados, o Itaú BBA destacou as iniciativas de redução de custos da companhia, que estão produzindo os resultados positivos. Elas produziram bons números, como a queda no queima de caixa por conta dos poços Solimões e na Namíbia ficou em R$ 600 mil, ante R$ 2,4 milhões no mesmo período do ano anterior e R$ 2,9 milhões no quarto trimestre de 2013, enquanto que o campo de Polvo ficou em R$ 500 mil. 

Neste sentido, a mudança de sede para um lugar mais econômico vem em linha com a nova estratégia da companhia. Ao mesmo tempo, os rumores que vez e outra aparecem sobre as negociações para a venda de ativos também servem como base para os ralis dos ativos da HRT. Assim, o cenário que se desenha para a petrolífera parece ser mais de hipóteses do que certezas. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.