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SÃO PAULO – Uma luz no fim do túnel foi acessa para os acionistas da B2W (BTOW3) em setembro, quando os investidores iniciaram um forte movimento de compra dos papéis da varejista. O interesse da Amazon pelo braço online da Lojas Americanas (LAME4) poderia marcar um fim à sequência de notícias negativas que assombra a empresa ao longo dos últimos três anos.
Com o aumento gradual da concorrência no segmento de vendas pela internet, a B2W não tem conseguido agradar o mercado, apresentando em seus balanços trimestrais diminuição na participação de mercado e queda nas margens. Diante da possibilidade de compra da Amazon, os papéis saltaram 43,91% aos R$ 11,47 desde o início de setembro até a última terça-feira (16).
A história começou a mudar, contudo, na última quarta-feira (17), quando aumentaram os rumores sobre a venda da Saraiva (SLED4) para a Amazon, conforme foi divulgado pela Bloomberg. Desde então, os papéis da B2W já caíram mais de 11,59%, corrigindo parte dos ganhos do último mês.
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Embora uma aquisição pela maior empresa de comércio eletrônico dos EUA ainda não tenha sido confirmada e o rumo da Amazon no Brasil ainda gire bastante em função de especulação, a famosa frase conhecida pelos investidores: “sobe no boato, cai no fato”, pode estar prester a se confirmar mais uma vez.
Uma alta tão agressiva dos papéis da B2W não teria muito fundamento, a não ser pelos boatos, uma vez que as margens da empresa estão cada vez piores, disse o analista Gabriel Ribeiro, da Um Investimentos. No seu último resultado divulgado, a varejista online registrou no segundo trimestre um prejuízo líquido de R$ 38,9 milhões no trimestre – crescimento de 86,1% frente ao que havia sido registrado no mesmo período do ano passado. -, o que motivou a queda de suas ações no pregão em questão.
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Com o valor de patrimônio líquido desaparecendo, o HSBC havia apontado há um mês que era hora de sair dos papéis da B2W. Entretanto, o mercado optou por se guiar no rumor e vem tomando um tombo bem grande nos últimos dois dias. Ribeiro estima, contudo, que a queda pode ser ainda maior e as ações podem voltar ao patamar que registravam antes do rumor.
O analista ainda reforça que é muito difícil operar em cima de rumor e costuma ser manobras bem arriscadas no mercado, já que o papel pode se tornar muito arisco tanto com a confirmação quanto com a negação do fato. No caso da confirmação, a reação seria dos papéis devolverem parte dos ganhos pelos benefícios do fato em questão já estarem precificados. “É uma operação que tem que ser feita pelos investidores com perfil mais agressivo”, complementa.
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Nessa linha, o analista Cauê Pinheiro, da SLW Corretora, comenta que muitos investidores entraram nessa operação com base na especulação, e agora o papel reage a essa saída abrupta de boa parcela dos aplicadores.
Compra das ações da B2W pela Lojas Americanas também intriga
Contudo, ele ressalta que a forte alta no último mês não deve-se somente a possibilidade de compra pela Amazon, lembrando que a Lojas Americanas continua a comprar ações da sua subsidiária de internet na bolsa.
Para Ribeiro, esse movimento pode sinalizar que a própria Lojas Americanas estava considerando os papéis da B2W “baratos”. Segundo dados enviado s à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa comprou 1,4 milhão de papéis da B2W no mês de setembro por R$ 14,621 milhões a preços que variaram entre R$ 9,36 e R$ 10,73.
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Analistas indicam que esse deve também ser um dado monitorado com cuidado, já que o fato da Lojas Americanas ter continuado a comprar as ações do mercado pode fazer com que os investidores que operam a descoberto analisem com mais cuidado suas posições, ao passo que continuarão intrigados em relação às reais intenções da empresa.