O que a Pet Manguinhos tem para ser a maior alta da bolsa? Planos e especulação

Em entrevista à InfoMoney, executivo comenta rumores de aquisição e afirma que empresa já voltou à lucratividade

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SÃO PAULO – O que leva uma ação a ter mais de 500% de alta acumulada em um ano? A resposta mais sã seria “especulação”. No caso da Refinaria de Petróleo Manguinhos (RPMG3, RPMG4), porém, é uma combinação entre muitos rumores e planos para a retomada das operações da empresa, com uma guinada completa nos negócios.

Durante este ano, houve mais de um rumor de aquisição da companhia que, no entanto, não foram confirmados. Paulo Henrique Menezes, superintendente-executivo da Refinaria de Manguinhos, afirmou em entrevista à InfoMoney que o crescimento da empresa tem sido alvo de estudos. “Não temos, no entanto, interesse em vendê-la”, completou.

Além das especulações acerca da venda da empresa, houve também rumores confirmados ao longo do primeiro semestre. O protocolo de intenções assinado com a Petrobras (PETR3, PETR4) em 23 de junho é um desses fatores, e foi recebido de forma bastante positiva pelos investidores: no dia, os papéis preferenciais fecharam com alta de 29,3%, enquanto os ordinários subiram 27,4%.

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Segundo Menezes, “o processo encontra-se em andamento”, porém o superintendente da Manguinhos não forneceu maiores detalhes, afirmando que existe uma cláusula de sigilo no acordo. O que já foi informado pela empresa, entretanto, é que esse acordo visa “identificar oportunidades de negócios, inclusive a formação de parcerias, na área de refino, incluindo a modernização da Refinaria de Manguinhos para produção de gasolina, diesel e produtos diferenciados; serviços de transporte e logística; e produção de biodiesel”.

Retomada da produção e projetos para o futuro
No dia 24 de agosto, a empresa comunicou ainda que uma de suas unidades de destilação voltou a operar, processando o condensado de petróleo recentemente adquirido, “o que resultará em incremento de sua capacidade de produção”. Atualmente, segundo Menezes, a Refinaria opera com uma unidade de Destilação Atmosférica produzindo gasolina A e solventes especiais. “No final de janeiro devemos finalizar a segunda parte do projeto refino que é a entrada em operação da destilação a vácuo”, ressaltou.

Aos poucos, a empresa pretende retomar as operações, distanciando-se da situação ocorrida nos anos passados, quando a companhia optou pela suspensão da produção. Os projetos da companhia não são poucos – nem modestos. Conforme comunicado enviado à bolsa no início deste ano, a empresa possui seis empreendimentos em desenvolvimento: os projetos Biodiesel, de Terminais de Granéis líquidos (TGLM), de armazenagem e distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo, de estação de tratamento de efluentes, Termelétrica e de Refinaria Boutique.

Menezes declarou à InfoMoney que todos os projetos continuam em andamento. “Estamos em fase final de estudo de alguns, em implementação de outros e aguardando algumas autorizações para darmos início aos que já estão em fase de implementação”, explicou. Os mais adiantados são o TGLM e o de armazenagem, que devem ser finalizados até o inicio do próximo ano.

Para cumprir os investimentos necessários para a implementação dos projetos, a companhia vem levantando recursos através de aumentos de capital. Desde junho, já foram aprovadas operações totais de R$ 32 milhões. Ao mesmo tempo, a empresa procura desenvolver parcerias para dar andamento aos projetos, conforme observado pelo superintendente durante a entrevista.

Lucros e ações
Ressaltando o bom momento para a indústria petroquímica no Brasil, especialmente com a exploração do pré-sal, Menezes afirmou que a empresa “já se tornou lucrativa”, embora os mecanismos contábeis exigidos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) comprometam a demonstração deste lucro. “Para nós, o importante é que a companhia vem gerando caixa e este caixa está sendo totalmente reinvestido no projeto”, frisou Menezes, ressaltando que a empresa pretende normalizar a divulgação dos resultados no terceiro trimestre deste ano.

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Em termos de ações, apesar da forte oscilação nos papéis e a baixa cotação, a empresa não prevê a realização de grupamentos no curto prazo. “Nosso foco principal tem sido o de retomar o valor da companhia, algo que tem acontecido, bastando, para isso, ver a valorização das ações”, concluiu o superintendente. Segundo ele, não há intenção de fechamento de capital e os dividendos serão consequência natural do sucesso que vem sendo alcançado na readequação da Pet Manguinhos.

Confira a entrevista na íntegra:

Pet Manguinhos vê sucesso de nova gestão e já nota geração de caixa