Mineração

O mercado ‘entendeu errado’ a notícia que fez a Vale subir 7%? 2 bancos dizem que sim

Analistas do Credit Suisse e BTG Pactual afirmam que não haverá um corte na oferta, mas sim um reposicionamento na produção

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SÃO PAULO – A Vale (VALE3; VALE5) chegou a disparar 7% nesta segunda-feira (13) depois que executivos da mineradora afirmaram que haveria corte na oferta a partir deste mês. A notícia trouxe um alívio ao setor que sofre com a derrocada dos preços do minério de ferro enquanto as companhias seguem com sua produção inalterada. 

A leitura, no entanto, foi equivocada, dizem analistas do Credit Suisse e BTG Pactual. Não haverá um corte na oferta, mas um reposicionamento na produção. A própria Vale informou, por meio de comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que mantém sua oferta de minério em 2015 em 340 milhões de toneladas.

A confusão veio em meio à afirmação do diretor de ferrosos e estratégia, Peter Popping, de que a companhia espera reduzir sua produção entre 25 e 30 milhões de toneladas ao ano. Ele falou logo após às 12h (horário de Brasília) durante o Congresso do Aço, realizado em São Paulo. Nos 30 minutos que se seguiram os papéis ordinários da companhia dispararam 7%. 

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O mercado interpretou que haveria um corte de produção, mas, na realidade, é apenas um reposicionamento no volume da produção, disseram analistas do Credit Suisse e BTG Pactual após conversas com a diretoria da empresa. Às 15h18, a própria companhia arquivou comunicado na CVM confirmando que manteria sua produção inalterada. 

“Mesmo com a queda dos preços do minério, a Vale manterá sua produção”, disse Ivano Westin, do Credit Suisse, que vê a disparada dos papéis hoje como “exagerada”. Na mesma linha, os analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro, do BTG, comentaram que, se não haverá alteração na meta de produção do ano, então não haverá impacto algum. “O que ocorre é que a Vale vai cortar a produção dos produtos de menor qualidade enquanto entrega os de maior valor. Basicamente isso”, disseram.

O BTG segue com recomendação neutra para a Vale, prevendo que a volatilidade nos preços do minério de ferro levará a commodity a ser negociada entre US$ 45 a US$ 50 a tonelada durante os próximos meses. Durante evento, Popping disse que espera que o custo de produção da Vale caía para baixo de US$ 40 a tonelada este ano, sendo inferior a US$ 35 a tonelada até 2018. “O foco hoje, mais do que nunca, é a margem [de lucro]”, afirmou.