Coronavírus

Novo recorde de casos no Brasil e aumento de mortes nos EUA: Economist alerta sobre progressão da pandemia

Com progressão geométrica da doença, esmagar a taxa de infecção pode exigir lockdowns completos, diz a revista britânica

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SÃO PAULO – A última quarta-feira (22) foi um dia de marcas infelizes nos dois países do mundo mais afetados pela pandemia do novo coronavírus: Estados Unidos e Brasil.

O Brasil registrou um recorde de notificações de contágio em 24 horas nesta quarta, contabilizando 65.339 diagnósticos positivos, de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa feito junto às secretarias estaduais de saúde.

Já os EUA voltaram a registrar mais de mil mortes em um só dia, depois de semanas que o número diário ficou abaixo dessa marca. A última vez em que o país havia notificado mais de mil mortes em um único dia havia sido 10 de junho.

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Como os números da doença ainda estão elevados e sugerem que o cenário ainda não se estabilizou totalmente nos dois países, a revista britânica The Economist divulgou, na manhã desta quinta-feira (23), um texto no qual avalia o perigo da progressão geométrica da pandemia pelo território americano.

“Por que o número de casos de Covid dos EUA está subindo tão rápido? A explicação óbvia é que, quando as medidas de lockdown foram flexibilizadas, as pessoas se movimentaram mais. Mas essa não é a história toda. Em meados de junho, as infecções aumentaram quatro vezes em quatro semanas”, diz o texto.

Ou seja, para a The Economist, a explicação sobre o aumento dos casos nos EUA está enraizada na progressão geométrica: 1, 2, 4, 8. Se uma pessoa infectar duas, duas infectam quatro, quatro infectam oito, e assim por diante.

“A menos que a taxa de infecção seja reduzida, qualquer aumento geométrico faz a situação escalar rapidamente: 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1.024. Isso significa que, quando o vírus é disseminado, mesmo pequenas quantidades de atividade entre as pessoas fazem as infecções dispararem”, continua.

“A tarefa é clara: esmagar o nível de infecção para talvez um décimo do que é agora (mais próximo dos níveis europeu e asiático). Isso parece exigir lockdowns completos. E, no momento, poucos políticos estão preparados para isso”, conclui o texto da revista.

Comparação entre os cenários de EUA e Brasil

Ainda que o texto cite especificamente o cenário americano da pandemia, ele pode ser usado de base para entender a progressão da doença no Brasil também, já que a escala geométrica da disseminação da pandemia entre os dois países se assemelha em alguns aspectos, embora a linha do tempo da pandemia mostre que há grandes diferenças em relação ao perfil da pandemia nas duas nações.

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Enquanto a média móvel de casos diários nos EUA chegou ao patamar de 30 mil registros no dia 7 de abril – pouco mais de dois meses depois do primeiro caso em território americano -, no Brasil, foram necessários quase quatro meses após o início da pandemia para que nós chegássemos ao patamar de uma média móvel de 30 mil casos diários.

Vale dizer também que o primeiro caso do novo coronavírus nos EUA ocorreu em 21 de janeiro, praticamente um mês antes do primeiro teste positivo para a Covid-19 no Brasil. A disseminação da doença, porém, aconteceu de forma semelhante nas duas nações, com a doença atingindo diferentes regiões com intensidades díspares.

E, em ambos os países, ainda não há indícios de uma regressão geral e constante da epidemia. Quando avaliam-se os óbitos, os EUA também sofrem uma aceleração mais severa do que o Brasil. O primeiro óbito no país foi registrado em 29 de fevereiro e o primeiro milhar por dia foi atingido em 4 de abril.

No Brasil, a primeira vítima fatal foi notificada em 17 de março e a taxa de mil mortes diárias foi atingida em 4 de junho. Ou seja, o Brasil levou quase três meses para alcançar um patamar que os Estados Unidos atingiu em pouco mais de um.

Porém, diferentemente do Brasil, os EUA chegaram a apresentar uma queda importante na mortalidade diária. Passaram de 2.235 mortes diárias, em média, no fim de abril para 515,4 mortes no início de julho. Porém – puxado pelo cenário crítico dos estados da Flórida, Texas e Califórnia – o cenário inverte-se e há subida desses números.

No Brasil, houve regiões onde o vírus apresentou altas vertiginosas no começo da pandemia, como nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas, por exemplo, mas a doença perdeu a potência com o passar dos meses. Esses estados adotaram fortes medidas de restrição para contenção do vírus logo no início da pandemia.

Por outro lado, assim como ocorre nos EUA, regiões poupadas no início, agora sofrem aumentos mais expressivos, cenário atual de estados como Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Na última segunda-feira (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a pandemia de Covid-19 deve “piorar antes de melhorar” e recomendou, pela primeira vez, o uso de máscaras no território americano.

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Já no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro anunciou na última quarta-feira (22), que realizou um terceiro exame e continua infectado pelo novo coronavírus. Ele informou pela primeira vez que foi infectado no dia 7 de julho e em diferentes ocasiões disse que está tomando a hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada cientificamente.

Os dados mais recentes da Universidade Johns Hopkins mostram que os dois países lideram a lista de número de casos e mortes. Os EUA já registraram 3.972.162 casos, com cerca de 143.204 óbitos. Já o Brasil conta com 2.227.514 infectados e 82.771 mortes desde o início da pandemia.

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