Novo normal: Pimco vê outra realidade após crise e traça estratégias de investimento

Economia irá se recuperar, mas mudanças permanecerão; novo mundo terá crescimento menor e desemprego maior

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SÃO PAULO – “Os mercados irão reverter para a média, mas ela não irá parecer nada com aquela dos últimos anos”. A opinião de Mohamed El-Erian, diretor-executivo da Pimco, introduz a ideia de “um novo normal”, ou seja, a crise financeira atual irá modificar tanto o cenário econômico que essas alterações não serão revertidas nos próximos anos.

Para a Pimco, os mercados estão se recuperando de uma situação que vai além de uma crise cíclica. Ela modificou estruturalmente o modo como as poupanças são mobilizadas e alocadas, a relação entre os setores público e privado e destruiu a confiança em parâmetros básicos do sistema de mercado, como direitos de propriedade e contratos.

Neste novo normal descrito por El-Erian, o panorama representa uma continuidade dessas mudanças. “Em relação ao que era antes, o sistema financeiro será desalavancado, desglobalizado e re-regulado”, afirmou o diretor no “Secular Outlook” da Pimco, relatório que estabelece o cenário base para a criação de estratégias de investimento nos próximos três a cinco anos.

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O novo normal

De acordo com a análise de El-Erian, o novo normal compreende um mundo com crescimento lento e desemprego maior, que irá se distanciar cada vez mais do G-3 para aumentar a importância das economias emergentes, lideradas (sem grande surpresa) pela China.

“É um mundo onde o setor público continua como um fornecedor de bens que pertencem ao setor privado”, afirma o diretor, explicando que acontecerá uma transição de um mundo onde o setor privado fornece bens públicos para um mundo no qual o setor público fornece bens privados.

Regionalmente, El-Erian prevê este novo normal da seguinte forma:

  • EUA: reabilitação financeira ocorrerá em um contexto de baixo crescimento e eventual tendência inflacionária;
  • Reino Unido: também apresentará baixo crescimento, porém com uma maior vulnerabilidade a instabilidades financeiras externas e domésticas;
  • Europa: também crescerá em ritmo mais lento, influenciada pelo temor histórico da inflação e por preocupações com a integridade da União Europeia;
  • Japão: continuará a enfrentar problemas já que sua economia está muito sobrecarregada por questões fiscais e demográficas;
  • Mercados Emergentes: irão se dividir em dois grupos. O primeiro composto pelos países com condições iniciais fracas, que irão retornar ao antigo paradigma de mercados emergentes entre austeridade e instabilidade financeira. E o segundo composto por países com condições iniciais fortes, que irão manter a fase de desenvolvimento, embora não no ritmo registrado nos últimos anos.

    Ademais, El-Erian alerta que serão necessárias adaptações devido à mudança das configurações de risco e retorno e à potencial migração da esfera da dívida pública e das estruturas de capital para uma estrutura simplificada que consiste apenas em instrumentos de ações e dívida sênior.

    Investimentos

    “Em relação ao nosso investimento secular, nosso cenário base favorece a dianteira de curvas de juro em diversos países (enquanto as autoridades mantêm as políticas de taxa de juro real negativa), instrumentos de geração de renda (que vão dominar o puro prêmio acionário) e uma orientação internacional (enquanto os EUA enfrentam projeções de mudança no risco soberano e retorno de expectativas de inflação maiores)”.

    Com isso em mente, a estratégia secular de investimento da Pimco argumenta a favor dos seguintes itens:

  • Exploração de anomalias periódicas associadas a transferências desajeitadas, tanto internas quanto externas;
  • Favorecimento de spreads de crédito e numa base internacional cada vez maior;
  • Lembrança de que os prêmios nos ativos de risco refletirão sucessivos problemas em contratos e na estrutura de capital, assim como na autonomia de instituições econômicas chaves;
  • Posicionamento para uma depreciação do dólar;
  • Reconhecimento de que o prêmio de risco agora irá refletir uma ameaça permanentemente maior de subordinação.