Resultados

“Não foi de maneira alguma um bom trimestre”, diz BTG sobre resultado da Positivo

Fabricante de computadores sobe 6,5% no pregão, logo após divulgação do balanço, mas banco recomenda cautela: trimestre pode não ter sido tão positivo assim

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – As ações da fabricante de computadores pessoais, Positivo (POSI3) disparavam 6,48%, a R$ 2,30, às 13h52 (horário de Brasília) desta sexta-feira (15). Na máxima do dia, elas chegaram a operar em alta de 12,96% com o resultado do primeiro trimestre de 2015 no radar. Contudo, o BTG Pactual discorda que os primeiros três meses da positivo tenham sido, de fato, positivos. 

De acordo com relatório assinado pelos analistas Carlos Sequeira, Fabio Levy e Bernardo Teixeira, apesar de uma queda na receita líquida já ser esperada, o resultado de R$ 452,1 milhões foi 5,9% menor do que o esperado pelo BTG e 3,3% abaixo do consenso do mercado. Ano a ano, a queda na receita da empresa foi de 24,6%. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) também não foi muito melhor. A geração operacional de caixa totalizou R$ 9,5 milhões, mais de 50% abaixo do consenso e representando um recuo de 75% na comparação com o mesmo período de 2014. 

Aprenda a investir na bolsa

Abrindo o balanço para uma análise das operações, as quedas nas receitas para o varejo e para o governo chegaram a 20,6% e 36,7% respectivamente. “Ambos foram impactados pela forte retração nas vendas de PCs e tablets (19,4% e 53,3% respectivamente)”, diz o relatório. O cenário macroeconômico fraco, com PIB (Produto Interno Bruto) em desaceleração, inflação perigosamente acima do teto da meta e câmbio depreciado junto com os ajustes fiscais promovidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acabaram batendo negativamente nas vendas da empresa, principalmente à União. 

Nem tudo está perdido
Para dois segmentos, no entanto, a Positivo trouxe bons resultados. São eles as vendas a escritórios, que respondem por 15% da receita total e cresceram 17,6% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior e o chamado working capital management – estratégia que visa a garantir que a empresa tenha um fluxo de caixa suficiente para garantir o pagamento de suas dívidas de curto prazo e suas despesas operacionais.

No segundo caso, o ciclo de conversão de caixa caiu de 122 dias para 121 dias e a variação da gestão de capital ficou positiva em R$ 84 milhões na comparação com o trimestre imediatamente anterior. A dívida líquida também caiu 9% no primeiro trimestre de 2015 em relação ao quarto trimestre de 2014 para R$ 270,1 milhões. 

Apesar disso, com a já citada fraqueza geral da economia e, principalmente, da indústria, o BTG recomenda um olhar cauteloso para o investidor em relação à Positivo.