Não foi de graça: o que pode estar por trás do corte abrupto de dividendos pela Smiles?

Empresa decidiu cortar o pagamento de dividendos aos acionistas em 2019 para 25% do lucro líquido

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SÃO PAULO – Com a forte queda registrada nesta quarta-feira (7), as ações da Smiles (SMLS3) lideram as perdas do Ibovespa com o mercado nada satisfeito com a decisão da empresa em cortar o pagamento de dividendos aos acionistas em 2019 para 25% do lucro líquido. Contudo, uma medida drástica como essa, ainda mais em um dos pontos fortes da companhia, não é de graça e pode ter como objetivo uma futura aquisição. 

Em vista dos fortes resultados, os papéis eram presença garantida (até então) nas carteiras recomendadas de dividendos já que historicamente pagava, ao final de cada ano contábil, 100% do seu lucro líquido sob a forma de dividendos aos seus acionistas, como também trimestralmente distribuía JCP (Juros sobre Capital Próprio). Com esse corte anunciado para o ano que vem, o papel perdeu essa importante atratividade, o que acabou gerando uma debandada dos investidores.

Assim como todo mercado, os analistas do BTG Pactual não gostaram da “ingrata” surpresa da Smiles, tanto que colocou a recomendação de compra da empresa em revisão, ou seja, existe a chance do papel sofrer um downgrade de classificação. Do outro lado, o Itaú BBA manteve sua recomendação “outperform” para as ações, mas destacou que a decisão não é bem-vinda pelos investidores.

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Aquisição no radar?

No fato relevante que anunciou sua decisão, a Smiles alegou que o corte tem como objetivo melhorar suas operações e relocar capital para oportunidades de maior retorno esperado, medidas, que segundo a empresa, tem como alvo combater a crescente competição. Contudo, essa medida drástica pode ter como objetivo uma futura aquisição, probabilidade que inclusive foi levantada pelo próprio BTG, que questiona: que tipo de oportunidade demandará um capital tão grande?

Com geração de caixa próxima de R$ 700 milhões por ano, o site Brazil Journal não descarta que a medida tomada pela Smiles tem como alvo a CVC Brasil (CVCB3), relembrando a entrevista do presidente da Smiles, Leonel Andrade, que há um ano e meio afirmou que sua estratégia era transformar a companhia em uma “empresa de turismo”. Segundo aponta a reportagem, em 2015, o fundo Carlyle, então controlador da CVC, ofereceu para a Smiles a empresa, mas os negócios não avançaram. Vale lembrar que a Smiles tem uma parceria com a Rocketmiles, da Booking.com. 

Apesar de válida a justificativa, o corte abrupto dos dividendos assusta qualquer investidor, em especial aqueles que nos últimos anos estavam acostumados com um payout (parcela do lucro líquido distribuído em dividendos) de 100% em sua conta. Para se ter uma ideia, a empresa pagou cerca de R$ 3 bilhões aos acionistas sob a forma de proventos desde 2013. Segundo o BTG, a maneira que a empresa irá lidar com relação a estratégia de dividendos será o ponto-chave daqui para frente.

Guidance não deve fazer preço

Além do corte dos dividendos, a companhia anunciou seu guidance para 2018, ano que espera alta do faturamento bruto entre 12% a 18%, como de 10% a 16% para receita líquida e que a margem direta de resgate fique entre 37% a 43%. Para o BTG, os números revelam que a empresa poderá crescer mais de dois dígitos sem precisar aumento de capital, mas isso não é uma grande novidade para o mercado e não deve ofuscar o corte de dividendos.

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