Multa ainda pressiona e MMX aparece entre as maiores quedas do Ibovespa

Mineradora já perde cerca de 6,5% na semana, desde que Receita Federal cobra multa de R$ 3,7 bilhões
Igarape, 04 de novembro de 2011Imagens das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro
Igarape, 04 de novembro de 2011Imagens das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro

Publicidade

SÃO PAULO – O momento continua ruim para a MMX (MMXM3). Após ela ter sido multada em R$ 3,7 bilhões pela Receita Federal no início da semana, as ações voltam a cair nesta quinta-feira (10) e já acumulam perdas de 6,46% na semana. Por volta das 12h30 (horário de Brasília), a desvalorização neste pregão é de 1,87%, aos R$ 4,20, em uma das maiores quedas do Ibovespa. O principal índice de ações da bolsa, por sua vez, avança 0,52%.

“Ela ainda sofre influência da multa que recebeu, é um valor bastante considerável. O mercado já recebe como negativo e bate nos papéis o quanto antes”, reforça Victor Penna, analista do BB Investimentos.

Ele explica que, por mais que a mineradora de Eike Batista ainda vá recorrer à decisão, a justiça brasileira demora anos para decidir, como pode ser observado no recente imbróglio da Vale (VALE3, VALE5) sobre a disputa dos royalties.

Continua depois da publicidade

Mas, para a equipe da XP Investimentos, essa pressão sobre as ações pode gerar um bom ponto de entrada.

Vale lembrar que no começo de dezembro a mineradora anunciou um aumento de capital de R$ 1,3 bilhão, sendo que as ações não subscritas pelo mercado serão compradas por Eike Batista. Assim, os acionistas que têm o direito de preferência – eles têm até 18 de janeiro para exercer – podem realizar os ganhos para recomprar a um preço mais baixo no futuro, já que o preço de emissão na oferta é de R$ 3,92.

A disputa da MMX com a justiça faz referência ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de 2007, envolvendo a venda de parte de suas operações à Anglo American. A empresa considera a multa como improcedente e diz que utilizará todos os meios legais para se defender.

Continua depois da publicidade

Penna também diz que a ação da MMX vinha de uma alta considerável em dezembro, de 26,7%, o que era injustificável, já que as perspectivas para o restante do ano não são positivas. “A MMX ainda traz muita incerteza”, avisa.

Questões como o preço do minério de ferro, o atraso nas obras do Superporto Sudeste ao mesmo tempo em que a empresa deve pagar os contratos de “take or pay” (contrato em que uma parte assume a obrigação de entregar/comprar um produto ou, se a transação não ocorrer, pagar por isso), e uma forte necessidade de capex (investimento em máquinas e equipamentos), com a possibilidade de levar a um fluxo de caixa apertado, são as principais fontes de preocupação. A obtenção de licenças ambientais também podem configurar um entrave para o ano.

A queda neste pregão ocorre mesmo com os fortes dados da balança comercial chinesa em dezembro, que é um importante mercado consumidor para as mineradoras brasileiras.

Continua depois da publicidade

O analista do BB Investimentos concorda que o dado é positivo, mas revela que outros indicadores no país, como o PMI (Purchainsg Manager’s Index), que mede a atividade industrial, já sinalizavam para a recuperação chinesa. “O mercado já veio precificando isso nos papéis.”

Por esse motivo, a alta da Vale, de 0,65% para as ações preferenciais, aos R$ 40,56, e de 0,70% para as ordinárias, aos R$ 41,99, também não é tão expressiva, apesar da balança comercial chinesa muito acima do esperado.