Não agradou

MRV estuda diversificar nos EUA e depender menos do Minha Casa, Minha Vida: mas por que a ação caiu 6,5%?

Analistas ainda possuem muitas dúvidas sobre potencial de investimentos na AHS Residential, empresa sediada nos EUA do empresário Rubens Menin, maior acionista da MRV

SÃO PAULO – Em uma sessão de fortes ganhos para o Ibovespa, com ganhos de 1,52%, a ação da MRV (MRVE3) foi um dos destaques de baixa, chegando a ter perdas de até 6,44%, a R$ 17,72, após uma notícia que gerou muitas dúvidas entre os investidores sobre a estratégia da construtora. 

A companhia confirmou estudos sobre o potencial de investimentos na AHS Residential, empresa sediada nos EUA do empresário Rubens Menin, maior acionista da MRV com 32% dos papéis (e também fundador e presidente do conselho da AHS), em esclarecimento a uma reportagem. A notícia foi divulgada ontem pela Bloomberg, que destacou que a compra está no estágio final e deve ser anunciada em breve, segundo a fonte, que não quis revelar o valor da transação. Já segundo O Estado de S. Paulo, a negociação deve girar em torno de US$ 235 milhões.

A AHS incorpora, constrói e administra prédios para locação nos EUA, em um modelo semelhante ao que a MRV anunciou que iria implementar no Brasil no mês passado, com uma nova unidade chamada Luggo. Fundada em 2012, a companhia com sede na Flórida está focada no desenvolvimento, venda e gerenciamento de moradias para famílias com renda entre US$ 37 e US$ 87 mil e, atualmente, possui 2 mil unidades em construção ou operação. 

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De acordo com o Credit Suisse, a aquisição poderia fazer sentido em termos qualitativos, justamente porque a AHS tem muitas similaridades com o modelo da Luggo. O Morgan Stanley também destaca que a diversificação possa ser positiva para mudar o foco da MRV no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que enfrenta desafios para seu financiamento e levaram à fraca geração de caixa e margens, o que ficou evidenciado nos números do segundo trimestre apresentados no início de agosto.

Porém, ainda há muitas dúvidas no radar que fazem com que a ação tenha uma primeira reação negativa à possibilidade de aquisição. Conforme destaca a equipe de análise do Morgan, essa aquisição pode mudar substancialmente a narrativa da MRV, enquanto o Itaú BBA aponta que não há sinergias claras para as operações da construtora com a aquisição de uma empresa que opera no mercado imobiliário dos EUA.

Além disso, completa o Itaú BBA, também poderia ser lançada alguma sombra sobre os padrões de governança corporativa da empresa, uma vez que se trata de uma transação com partes relacionadas. 

Em resumo, ficam três dúvidas no ar, conforme aponta o Credit Suisse: (i) o acionista controlador tem uma fatia maior na AHS do que na MRV (95% e 33%, respectivamente), então é importante garantir que a transação aconteça em termos justos; (ii) a notícia não pode desviar a atenção dos diretores da companhia em um momento em que os seus principais negócios estão passando por desafios operacionais e (iii) pode ser uma indicação de que a MRV não esteja mais enxergando espaço para crescer no MCMV.

De acordo com analistas da Mirae Asset consultados pela Bloomberg, o valor de mercado da MRV é de R$ 8,369 bilhões e, portanto, a aquisição ao dólar atual representaria 11,7% do valor de mercado da empresa, um valor bastante significativo. Ou seja, algo bem significativo. “Pode ser uma diversificação atraente para a MRV e por se tratar de uma empresa em comum para o acionista controlador, toda a operação terá que ser muito transparente, para não gerar dúvidas”, avaliam.

Segundo compilação da Bloomberg, das 14 casas de análise, 11 possuem recomendação de compra para os ativos, 2 recomendação manutenção e só 1 recomendam venda. Assim, os analistas estão positivos com a companhia, também de olho na recuperação da economia, mas ponderarão o possível acontecimento (e como ele vai se desenvolver).

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