Modelo de prestação de serviço é melhor que partilha, diz ex-diretor da Petro

Para Ildo Sauer, professor de Energia, reestatização da companhia também poderia ser opção mais vantajosa

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SÃO PAULO – O modelo de exploração do pré-sal foi amplamente debatido no início do ano, causando tanta discussão que sua aprovação ficou para depois das eleições de outubro em meio a brigas entre os estados produtores e não produtores. Entretanto, para Ildo Sauer, professor de Energia da USP – e também ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras (PETR3, PETR4) – o mais interessante não seria o modelo de concessão e nem mesmo o de partilha.

Em evento organizado pela Fundação Getulio Vargas em São Paulo, Sauer, que saiu da Petrobras em 2007, fez duas propostas alternativas – que também causaram certa polêmica entre os presentes: um modelo de prestação de serviços da estatal para o governo, ou ainda a reestatização da empresa.

Problemas
Sauer explica que, pela proposta do modelo de partilha, a única operadora do pré-sal será a Petrobras. Isso significa que todos os riscos, sendo eles geológicos ou financeiros, são dela. “Apesar de ser uma mudança, ela caminha para elevar a autocracia do presidente da república – ou seja, quem decide com quem ficará o excedente econômico (R$ 700 bilhões por ano) será o governo”.

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Esse excedente equivale à diferença entre o custo de produção e valor da venda do barril do petróleo. Na Arábia Saudita, o custo de produção por barril é de cerca de US$ 1 – no Brasil, esse valor sobe para US$ 7, enquanto o barril é vendido, em média, por cerca de US$ 75. “Com 30 bilhões de barris por ano, o excedente é de US$ 2 trilhões”, afirma o professor. O custo do pré-sal é maior – em torno de US$ 15 por barril.

A disputa por esses excedentes, segundo ele, é central no pré-sal e no cenário global do setor. Sem certeza do volume de petróleo na camada pré-sal (“teríamos que perfurar para ver”, diz o professor), Sauer faz duas hipóteses para dar ideia do tamanho dos recursos envolvidos.

Na primeira, com 100 bilhões de barris nas reservas, a capacidade de produção seria de 6 milhões de barris por dia – levando em conta um custo de US$ 15 e venda a US$ 75 por barril, o excedente seria de R$ 270 bilhões anuais. Já considerando uma reserva de 300 bilhões de barris – que seria a maior do mundo – com as mesmas condições de custo e preço de venda, seriam R$ 770 bilhões excedentes por ano.

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Além disso, ele destaca que também não está claro quanto dinheiro irá para o fundo social. Segundo os cálculos de Sauer, o início de produção será somente em quatro anos, sendo adicionados mais dois ou quatro anos para a obtenção do óleo custo. “Ou seja, os recursos desse fundo só seriam significativos em cerca de 2020, ou depois”, explica.

Opções
Segundo ele, o regime de prestação de serviços geraria mais dinheiro para a própria Petrobras – que receberia entre US$ 10 e US$ 20 por barril, permitindo “um lucro bom” – e também para a União, trazendo mais dinheiro para prioridades públicas.

Outra opção seria usar o montante aplicado em Treasuries, que tem baixo rendimento, para estruturar um fundo para comprar ações da Petrobras, que estão baratas – elevando a participação da União na companhia e efetivamente promovendo sua reestatização.