Mesmo com promessas, produção da Petro no pré-sal não compensa queda do pós-sal

Estatal chegou a produzir 2,73 mi bpd em janeiro de 2012, um mês antes de Graça Foster assumir a presidência; número caiu para 2,5 mi bpd em maio de 2013

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SÃO PAULO – Encontrar reservas gigantescas de petróleo no pré-sal em 2007 foi o marco para o início de uma euforia desmedida com o setor petrolífero nacional. Na época, o presidente em exercício, Lula, chegou a afirmar que o país se tornaria um dos maiores produtores mundiais e se juntaria à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

O sonho era grande e a Petrobras (PETR3; PETR4) seria a empresa a realizar todo esse sonho. Para isso, a empresa passou por uma megacapitalização em 2010: R$ 120,2 bilhões. Seis anos depois da descoberta, a Petrobras já produz 300 mil barris de petróleo na região – e espera-se um milhão até 2020. Embora essa quantia seja impressionante, está muito abaixo do que se esperava.

A produção no pré-sal não tem conseguido compensar a queda de produção do pós-sal – e as paradas programadas em várias plataformas, que ajudam a reduzir a produção mês-a-mês. A companhia chegou a produzir 2,73 milhões de barris em janeiro de 2012, um mês antes de Maria das Graças Foster assumir a presidência da estatal, número este que se reduziu para 2,5 milhões de barris em maio de 2013. 

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Produção da Petrobras, de janeiro de 2012 até maio deste ano:

Mês Produção*
Maio/2013 2,500
Abril/2013 2,552
Março/2013 2,485
Fevereiro/2013 2,557
Janeiro/2013 2,611
Dezembro/2012 2,683
Novembro/2012 2,575
Outubro/2012 2,581
Setembro/2012 2,472
Agosto/2012 2,544
Julho/2012 2,554
Junho/2012 2,583
Maio/2012 2,601
Abril/2012 2,551
Março/2012 2,599
Fevereiro/2012 2,700
*Em milhões de barris por dia

Entre os maiores produtores do mundo
Os números atuais estão bastante abaixo do que se esperava para 2013 quando se descobriu o pré-sal. Acreditava-se que nesse ano, a produção estaria beirando os 3,3 milhões de barris por dia – que tornaria a Petrobras em um produtor tão grande quanto o famigerado Iraque, sétimo maior produtor mundial da commodity. Ainda faltaria muito para alcançar a Rússia, produtora de 10,9 milhões de barris de petróleo por dia.

Em termos de reservas, o Brasil está longe de ser um gigante até agora. As reservas provadas batem os 13,98 bilhões de barris – mas a expectativa é que o pré-sal consiga levar as reservas para cerca de 80 bilhões. Ainda é longe da nossa vizinha Venezuela, que contém a maior reserva do mundo,  atingindo 297 bilhões de barris, cuja produção média diária também está em franca queda, atingindo 2,3 milhões de barris por dia em 2012, após atingir 3,3 milhões de barris em 1997, dois anos antes da eleição de Hugo Chávez.

Confira os maiores produtores do mundo: 

Posição País Produção*
Rússia 10,900
Arábia Saudita 9,900
Estados Unidos 8,453
Irã 4,231
China 4,073
Canada 3,592
Iraque 3,400
Emirados Árabes Unidos 3,087
México 2,934
10º Kuwait 2,682
11º Brasil 2,633
12º Nigéria 2,525
13º Venezuela 2,323
*Em milhões de barris por dia

Propagandas ressaltam sucesso
O mercado muito criticou a política de preços da companhia, que subsidia o preço da gasolina, além de outras intervenções estatais que tiraram boa parte da credibilidade da companhia – e estariam atrasando o plano de crescimento da produção. Maria das Graças Foster, presidente desde fevereiro de 2012, tida como uma técnica exemplar e mulher de confiança da presidente Dilma Rouseff, rema para reduzir essas dificuldades – mas não tem tido muito sucesso. 

A Petrobras, porém, propagandeia na televisão o sucesso aparente do pré-sal – e acredita que o crescimento da produção será forte até 2020, quando a expectativa é produzir cerca de 5 milhões de boe’s por dia, o suficiente para transformar o Brasil em um dos cinco maiores produtores do mundo. Mas não lembra que, até agora, a produção não tem alcançado a crescente que se esperava. 

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Confira a propaganda da Petrobras: