Dias melhores virão

Mesmo com começo de ano ruim, Vale verá um 2013 com menos incertezas

Analistas que se encontraram com a empresa acreditam que ela está na direção correta; expectativa sobre os preços do minério também garante otimismo

SÃO PAULO – O cenário para a Vale (VALE3VALE5), apesar de permeado por incertezas, apresenta como mais positivo em relação a 2012, sobre com a estimativa mais favorável para os preços do minério de ferro. Essa foi a percepção dos analistas que acompanharam a reunião Apimec (Associação dos profissionais do mercado de capitais), realizada nesta semana pela mineradora no Rio de Janeiro.

Vale mencionar que a companhia tem apresentado um começo de ano tenso no mercado de ações. Até o fechamento da última quarta-feira (30), os papéis preferenciais e ordinários da mineradora recuaram entre 8,5% e 9,0% no mês, enquanto o Ibovespa – principal índice de ações da BM&FBovespa – apontava recua de 2,5%.

Na opinião dos analistas Rodrigo Barros, Leandro Cappa e Jorge Berinstain, as cotações da commodity podem ficar voláteis no curto prazo, dadas as mudanças nos fundamentos, ficando no patamar entre US$ 100 a US$ 180 a tonelada. Neste sentido, o Deutsche destaca que as mudanças constantes nos preços podem afetar negativamente a viabilidade financeira de muitas companhias novas, em particular com alavancagem alta.

A mineradora mantém a sua visão de que os preços do minério podem permanecer altos em 2013 – acima da média de US$ 130 a tonelada de 2012 – devido a diminuição do cenário de risco macroeconômico, destaca Marcos Assumpção, analista do Itaú BBA.

Reiterando esta percepção, está a situação mais tranquila da zona do euro, a retomada da atividade econômica da China e a não ocorrência do “fiscal cliff” nos Estados Unidos. Entretanto, a empresa sugeriu que os preços podem ficar voláteis no curto prazo, dadas as mudanças nos fundamentos de mercado.

Companhia está na direção correta
A direção que a empresa está buscando é a correta, avaliam os analistas do Deutsche Bank, Rodrigo Barros, Leandro Cappa e Jorge Berinstain. De acordo com eles, a expectativa é de uma reclassificação dos papéis da companhia em comparação aos seus pares globais durante 2013, quando os resultados das iniciativas estratégicas da Vale se tornarem mais evidentes; para eles, os descontos das ações da companhia em relação aos seus pares devem diminuir.

“Em nossa opinião, a falta de crescimento no volume de minério de ferro desde 2007 combinado com as questões fiscais pendentes são as principais razões para a negociação da Vale com desconto para os seus pares”, afirmam os analistas do Deutsche. Os analistas seguem com a recomendação de compra para os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale, com preço-alvo de US$ 24,00 para 2013, o que configura um potencial de alta de 23,27% em relação ao último fechamento.

Deste valor, Barros, Cappa e Berinstain descontaram US$ 10,00 com relação às disputas tributárias, nas quais a mineradora está buscando encontrar uma solução definitiva. A questão é sobre a ordenação das subsidiárias estrangeiras de empresas do Brasil que paguem os impostos de renda no País, mesmo que o imposto seja pago no exterior.

Itaú: recomendação neutra
Já o Itaú BBA manteve a recomendação neutra para as ações preferenciais classe A da companhia, com preço-alvo de US$ 21,00 para os ADRs, configurando um potencial de valorização de 7,86% em relação à mesma cotação de fechamento.

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A corretora ressalta ainda a prioridade da companhia em aumentar o crescimento do volume de produção; os esforços vão se concentrar nos projetos de minério de ferro, sendo que a diversificação só vai ocorrer em ativos de classe mundial, como o carvão de Moatize e cobre em Salobo.

Além disso, o analista Marcos Assumpção ressalta o processo de “remoção de incertezas” da história de investimentos da Vale, evidenciado pela obtenção de cerca de 100 licenças ambientais em 2012 e da resolução de litígios fiscais gradual. Os próximos passos podem ser concessão de uma licença para o projeto Serra Azul em abril de 2013 e o desenvolvimento positivo em relação à disputa tributária.