2020 de alta?

Mesmo após subir 156%, Via Varejo convence analistas com discurso de reestruturação

Levantamento mostra que 56% das casas de análise recomendam compra e apenas uma sugere venda do papel

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Ponto Frio, Via Varejo
(Divulgação)

SÃO PAULO – Depois de saltar 156% no ano, sendo mais de 100% desde 14 de junho, quando mudou de mãos do antigo controlador GPA para a família Klein, a Via Varejo (VVAR3) parece ter convencido a maior parte das casas de análise de que seu plano de reestruturação ainda vai levá-la a voos mais altos.

Conforme levantamento da Bloomberg, nove entre 16 analistas recomendam compra do papel, ou 56,3% do total. Seis estão com recomendação neutra, ou de manutenção em carteira (37,5%) e apenas uma casa, o Goldman Sachs, recomenda venda.

Em seu primeiro investor day sob nova direção, na última terça (17), a empresa disse que já será lucrativa no quarto trimestre desse ano e seguirá assim nos próximos balanços. Para o ano que vem, espera aumento de dois dígitos na receita, crescimento de 30% em vendas totais (GMV) e margem Ebitda entre 5% e 7%.

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Tudo isso apoiado em um investimento muito acima do que foi usual nos últimos anos, entre R$ 700 e R$ 800 milhões, e abertura de 70 a 90 novas lojas, com foco nas regiões Norte e Nordeste. À imprensa, a empresa diz ter caixa e acreditar suficientemente no crescimento das vendas para não precisar recorrer a financiamento com uma nova emissão de ações. Assista à apresentação completa da empresa a investidores clicando aqui.

“Saímos do evento com a sensação de que a mudança está entrando em cena na Via Varejo e que o negócio continua a oferecer uma proposição de risco/retorno interessante”, escreveram os analistas do Itaú BBA, que renovaram a perspectiva de alta para o ano que vem para R$ 13, upside de 18,3% sobre o fechamento de terça. Assim como o Itaú, a Eleven Financial Research e o Citi elevaram a expectativa de preço após o Investor Day.

Embora ainda não tenha atualizado seu preço-alvo, a XP Research deve fazer isso em breve. “A expectativa de crescimento divulgada pela empresa está acima da nossa atual estimativa (principalmente para o canal online). Sendo assim, nós devemos atualizar as nossas projeções no tempo devido”, escreveu o analista Pedro Fagundes, reforçando percepção de que a reestruturação da companhia avança no sentido certo.

Quem não está convencido?

Com recomendação neutra, o UBS acredita que as iniciativas já postas em prática e que estão sendo aplicadas agora, incluindo a otimização de ativos já existentes e a nova estratégia de marketing, “devem ajudar a Via Varejo a ser mais competitiva”. Por outro lado, “a próxima fase, baseada em tecnologia, é mais complexa e mais importante para a sustentabilidade do negócio no longo prazo”, apontam os analistas.

“Achamos que a estratégia digital está na trajetória correta, mas não temos certeza se é tarde para a criação de uma nova plataforma líder”, diz o relatório A estimativa em 12 meses do UBS é de R$ 7,50 para o papel que fechou a terça-feira em R$ 10,99.

Já o Goldman Sachs, única recomendação de venda do radar Bloomberg, acredita que o momentum positivo gerado pela nova diretoria da companhia já está amplamente precificado.

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“Acreditamos que parte dos benefícios da reestruturação podem ser ofuscados pela necessidade de reinvestimento por trás das estratégias digitais da companhia para diminuir o abismo frente aos líderes do e-commerce”, dizem os analistas em relatório atualizado após a apresentação dos executivos. A própria Via Varejo assume que seu e-commerce tem fricção considerável, especialmente no marketplace, e pretende criar e melhorar tecnologias nessa frente no próximo ano, bem como relançar todos os seus apps. O preço-alvo da casa de análise é de R$ 5,20.

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