Mercado “erra” sobre balanço da MMX e ação pode engatar mais perdas

Aluguel dos papéis da MMX despencou na véspera na expectativa de números melhores no quarto trimestre, mas companhia decepcionou mercado - o que deve abrir caminho para quedas mais robustas dos ativos

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SÃO PAULO – O mercado “errou” nas projeções do resultado de MMX Mineração (MMXM3) para o quarto trimestre, e acabou antecipando uma possibilidade de recuperação das ações diante de uma melhora operacional no perído. Na contramão, a mineradora do Grupo EBX mostrou um prejuízo de R$ 792,4 milhões em 2012 – 40 vezes maior do que as perdas de R$ 19,2 milhões registradas em 2011.

Da última sexta-feira (15) até a véspera, as posições alugadas das ações da MMX despencaram no mercado – indo de 51 milhões para 42 milhões, segundo dados da BM&FBovespa. O aluguel de ações ajuda a medir a expectativa de baixa sobre os ativos de uma companhia, pois o investidor aluga as ações e vende no mercado à vista na esperança de recomprá-las mais baratos depois. Ou seja, o investidor se expõe apostando ou antevendo uma queda brusca no preço dos papéis.

No caso, o mercado acreditou na projeção de melhora do grupo, e liquidou suas posições alugadas nos papéis, mas a expectativa não foi alcançada. E agora, toda essa pressão vendedora deve voltar com força para a ação, aponta o operador Luís Morato, da TOV Corretora.

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“Delay” de três dias
A queda mais brusca dos aluguéis ocorreu no mesmo dia da divulgação do resultado, mas segundo Morato, isso aconteceu pois a liquidação financeira é realizada após três dias úteis, o que significa que depois de comprar (ou vender) os ativos, os recursos somente serão debitados três dias depois da operação. Ou seja: a queda no número de ações alugadas refletia uma percepção mais positiva dos investidores aos resultados de 2012 da MMX, mas por conta do “delay” de três dias, o impacto no banco de aluguel só foi visto três dias depois sob a forma de queda na quantidade de ações MMXM3 alugadas no mercado.

Como o ano de 2012 não deixou uma boa impressão para os investidores, que tem ainda como pano de fundo uma contínua rotatividade da administração e alta alavancagem, Morato espera por uma retomada das posições vendidas já nos próximos dias. 

Nova mínima
Essa esperada pressão vendedora parece iniciou na véspera. As ações da mineradora de Eike encerraram o pregão em queda de 9,81%, valendo R$ 2,85 – o pior fechamento desde o final de março de 2008. No acumulado do ano, a desvalorização já chega a 35,96%, o que garante à empresa o desagradável posto de uma das piores ações do Ibovespa em 2013.

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No mesmo pregão, houve um ligeiro aumento das posições alugadas, que passaram de 42 milhões para 42,5 milhões. Vale lembrar que o limite estipulado pela BM&FBovespa para aluguel em MMX é de 73 milhões de papéis, ou cerca de 20% do free float (ações em circulação no mercado). 

Já nesta sessão, as ações seguem o movimento negativo e registravam às 12h04 (horário de Brasília), desvalorização de 5,26%, sendo cotadas a R$ 2,70 – próximo ao pior patamar do dia de R$ 2,68, ou queda de 5,96%.