Mercado cripto corre contra o tempo para substituir bancos quebrados nos EUA

Silvergate, Signature e Silicon Valley Bank quebraram nas últimas semanas

Bloomberg

Sede do Silvergate Bank na Califórnia, EUA (Bloomberg)

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O executivo do hedge fund cripto MaiCapital, Marco Lim, passou a última segunda-feira (13) correndo para abrir contas bancárias em Hong Kong após o colapso repentino de três bancos dos Estados Unidos.

O fundo tem sede na cidade e tinha dinheiro em uma das instituições falidas nos EUA, o Signature Bank. O MaiCapital precisa de alternativas e Lim estava pressionando os bancos para acelerar a abertura de contas.

“Os dois maiores bancos abertos às criptomoedas se foram”, disse Lim, referindo-se ao Signature e ao Silvergate Capital, que tinha muitos clientes cripto e disse na quarta-feira (8) que iria liquidar suas operações. “Já passei por muitas crises”.

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Silvergate, Signature e Silicon Valley Bank desabaram nos últimos dias em meio a corridas bancárias, estimulando os EUA a lançarem mão de um novo socorro para proteger os depósitos de clientes.

As perdas do Silvergate e do Signature são particularmente graves para os ativos digitais, pois as duas instituições operavam redes de pagamentos em tempo real, sete dias por semana, para a indústria cripto, auxiliando no fluxo de dinheiro para o setor.

Muitas empresas de cripto agora estão procurando bancos fora dos EUA, com Suíça e Emirados Árabes Unidos entre os destaques. Esse afastamento dos EUA já havia começado devido à crescente pressão regulatória após a implosão da exchange de ativos digitais FTX, de Sam Bankman-Fried.

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“Os EUA não estão tão acomodados quanto eram em relação às criptomoedas”, disse Richard Galvin, co-fundador da gestora de fundos Digital Asset Capital Management, em Sydney, Austrália. “Faz sentido diversificar por motivos jurisdicionais”.

De olho na Suíça

A Digital Asset Capital Management está passando por um “processo de integração” com um banco suíço, disse Galvin.

No país, o Sygnum Bank AG e o SEBA Bank AG estão entre os que trabalham com o setor de ativos digitais. Mais adiante, o Deltec Bank & Trust e o Capital Union Bank, nas Bahamas, também são conhecidos por seu foco em cripto.

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O SEBA Bank está vendo um aumento no tráfego do site globalmente, principalmente dos EUA, disse a empresa em um comunicado, acrescentando que as empresas de criptoativos solicitaram contas e que tem muitos encontros agendados com interessados.

Para empresas sediadas nos Estados Unidos, como a corretora Coinbase Global, os bancos americanos continuam sendo a chave. A Coinbase em seu site indica JPMorgan Chase & Co, Cross River Bank e Pathward como instituições onde pode depositar fundos de clientes.

A Circle Internet Financial, emissora da segunda maior stablecoin do mercado, a USD Coin (USDC), acaba de anunciar a próxima emissão automatizada e resgate do token via Cross River Bank. A Circle tem licenças e registros nos EUA e tinha US$ 3,3 bilhões em reservas sustentando o USDC no Silicon Valley Bank.

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Bancos céticos

Um dos desafios para as empresas de cripto é que os bancos estão cada vez mais em dúvida sobre o setor após uma queda de US$ 2 trilhões, uma série de explosões de ativos digitais e a intensificação do escrutínio regulatório.

“Existem serviços bancários disponíveis, mas a barreira para entrar nunca foi tão alta”, disse Jonny Caldwell, codiretor de gestão de ativos da Trovio. “Os bancos estão verificando detalhes para demonstrar a força dos negócios.”

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Caldwell disse que está ciente de vários fundos cripto que procuram bancos do Oriente Médio e da Suíça em busca de parceiros bancários alternativos.

No Oriente Médio, Dubai tem tentado atrair investimentos com políticas pró-cripto. Jurisdições como Hong Kong e na Europa também se tornaram mais atraentes graças a seus esforços regulatórios e governos mais amigáveis. No Reino Unido, o BCB Group está procurando atrair clientes para sua rede de pagamento para equipamentos de ativos digitais.

“Prevejo que mais instituições cripto começarão a explorar o sistema bancário asiático”, disse Adrian Lai, fundador da Newman Capital, em Hong Kong, que administra um fundo de US$ 50 milhões investindo na Web3. A Web3, também chamada de Web 3.0, refere-se a uma internet descentralizada construída em torno de blockchains, a tecnologia por trás das criptos.

No entanto, mesmo que bancos chineses em Hong Kong comecem a aceitar contas cripto, isso não será como o Silvergate ou o Signature, nos quais a indústria de ativos digitais era uma parte fundamental de suas operações, disse Lucy Gazmararian, fundadora e sócia do fundo de risco Token Bay Capital.

“O mercado cripto era o principal negócio deles”, disse ela. “Não temos isso na Ásia, que eu saiba.”

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